13/05/2019 17h00
Depois de quase 20 dias, onça é capturada no jardim Botânico da UFJF
O aparecimento de uma onça-pintada no Jardim Botânico da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), em Minas Gerais, chamou a atenção não somente de moradores da cidade, mas também de todo o PaÃs. Depois de quase 20 dias de buscas e orientação aos moradores, o felino foi capturado no último domingo, 12, à s 20h27, no Jardim Botânico.
Segundo informações da entidade, os especialistas realizaram exames de sangue e de urina, colocaram um colar para seguir o monitoramento e garantiram que o animal é um macho. Ele está bem e em fase reprodutiva. Tem aproximadamente 4 anos, pesa 51,6 quilos e tem 1,81 de comprimento.
O animal já se encontra em uma área florestal ampla, em Minas Gerais, juntamente com outros quatro bichos da mesma espécie. Por medidas de segurança, o local não foi divulgado. A onça foi levada pelo Instituto Estadual de Florestas (IEF), em uma caixa metálica, forrada com espuma. Durante o percurso, foi monitorada por veterinário do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de MamÃferos CarnÃvoros (Cenap/ICMBio).
Pegadas
O primeiro registro em vÃdeo da onça foi feito à s 21h15 no dia 25 de abril pelo vigilante Wamildo Jesus Ribeiro nos arredores da sede administrativa do Jardim Botânico. No dia seguinte, a UFJF decidiu fechar temporariamente o Jardim Botânico.
No dia 27 de abril, foram encontradas pegadas e fezes no Jardim Botânico e no estacionamento da Igreja Batista Resplandecente Estrela da Manhã. Também tiveram registros em área urbana, em frente a um hotel, e proximidades do Bairro Industrial.
Além de curiosidade, o aparecimento do felino gerou receio em parte da população. Informações de como se portar foram passadas aos moradores e divulgadas nas redes sociais: "Se houver contato com o animal, mantenha a calma, afaste-se de frente, mantendo contato visual com o felino, levante os braços e dê espaço para que a onça fuja".
Captura
Depois da realização de estudos, no dia 3 de maio, as armadilhas começaram a ser instaladas nos locais, onde o felino passou, entre elas, quatro armações de caixa com iscas dentro ficaram montadas à espera do animal. Neste domingo, após dez dias, a onça foi capturada pela equipe.
No dia 8 e 9 de maio, dois ataques a um galinheiro em uma casa no Bairro Parque das Torres.
No último sábado, 11, e também no domingo, no próprio dia da captura, pegadas também foram encontradas dentro do Jardim Botânico.
Na sexta-feira, 10, as quatro armações de caixas foram colocadas em pontos internos e externos do Jardim Botânico.
Outros seis laços também foram espalhados em outros locais por onde o felino passou, como a área da Mata do Krambeck.
Uma comissão organizou os trabalhos de busca que teve o acompanhamento e a atuação técnica do Cenap/ICMBio.
A comissão foi composta por sete instituições: Campo de Instruções do Exército Brasileiro em Juiz de Fora, Corpo de Bombeiros, Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Instituto Estadual de Florestas (IEF/Cetas), PolÃcia Militar (incluindo a PolÃcia de Meio Ambiente), Prefeitura de Juiz de Fora e Universidade Federal de Juiz de Fora.
"O usual, conforme o professor da UFJF Artur Andriolo e outros especialistas disseram, é o felino não se expor como ocorreu nas duas últimas semanas. Tivemos a honra de ver este animal raro tão de perto. Mas ele é conhecido pelo mistério de se camuflar na paisagem, de caminhar sem ser notado. O espÃrito da floresta. Faz pensar que sumiu enquanto pode estar ao nosso lado", destacou o Jardim Botânico no Facebook.
Com relação a demora para capturar o felino, a entidade explicou que as onças são espertas e desconfiadas. Percebem até mesmo se o ambiente foi modificado. Se há odores de humanos, por isso, foi preciso algum tempo para estudar o caminho percorrido e quais armadilhas seriam utilizadas.
Trabalho de conscientização. A captura do animal foi importante para manter sua sobrevivência, contribuir para a reprodução da espécie e evitar acidentes com a população. Outra preocupação das autoridades foi com relação ao risco de caça, que é crime. A PolÃcia Militar de Meio Ambiente também realizou rondas diariamente pela região. Menos de 300 onças-pintadas vivem em em Mata Atlântica.
Com a captura e transferência da onça, o Jardim Botânico da UFJF será reaberto à população.
Fonte: Estadão Conteúdo