23/09/2019 19h00
Domingo de acidentes graves deixa 15 mortos em rodovias de São Paulo
Em plena Semana Nacional de Trânsito, quando são realizadas ações de conscientização dos motoristas, cinco acidentes graves deixaram saldo de 15 mortos, neste domingo, 22, em rodovias do Estado de São Paulo. Dez vÃtimas eram jovens. Na maioria dos casos, segundo a polÃcia, os acidentes eram evitáveis e pode ter havido imprudência dos motoristas. A sequência de mortes acontece no momento em que se discute o fim do controle de velocidade por radares no PaÃs.
Na manhã de domingo, na rodovia Castello Branco, em Santana de ParnaÃba, um carro saiu da pista, passou sobre o canteiro central e atingiu três veÃculos que estavam na pista contrária, depois bateu no barranco. Três pessoas morreram - uma jovem de 18 anos, um rapaz de 20, e o condutor do veÃculo causador do acidente, de 27. Duas pessoas ficaram gravemente feridas. A suspeita de que o automóvel estivesse participando de um racha com outros dois veÃculos, como sugerem imagens de câmeras de monitoramento, é investigada pela PolÃcia Civil.
No fim da tarde, quatro jovens com idades entre 20 e 28 anos morreram, quando o carro em que retornavam da praia ficou descontrolado, atravessou o canteiro central e colidiu com um ônibus na rodovia Archimedes Lammoglia (SP-75), em Itu. Com o impacto, o carro capotou várias vezes. Uma quinta vÃtima, uma jovem de 20 anos, foi internada em estado grave. A PolÃcia Civil investiga se o carro estava em velocidade compatÃvel - o limite na rodovia é de 110 km/h.
Na madrugada, um motorista de 28 anos atropelou quatro jovens que caminhavam pelo acostamento da rodovia Comandante João Ribeiro de Barros, após sair de uma festa, em Santa Cruz do Rio Pardo. O teste do bafômetro indicou que ele havia ingerido alcoólica. Três jovens com idades entre 15 e 20 anos morreram no local. O quarto rapaz foi levado em estado grave a Santa Casa da cidade. O motorista também se feriu e está internado com escolta - ele será preso após receber alta. Os corpos das vÃtimas foram arremessados a 30 m de distância, havendo suspeita também de excesso de velocidade.
Também na madrugada, três homens morreram em colisão entre um carro e uma caminhonete na rodovia Feliciano Salles Cunha, em Guzolândia. Conforme a PolÃcia Civil, o automóvel capotou e o veÃculo atingiu a caminhonete que seguia no sentido contrário. As três vÃtimas estavam no carro, mas o condutor da caminhonete foi preso, pois o veÃculo era furtado e ele estava embriagado. Na rodovia João Mellão, em Avaré, dois carros bateram de frente, causando a morte dos dois condutores. Outras duas pessoas ficaram feridas. Testemunhas disseram à polÃcia que o causador do acidente rodou três quilômetros na contramão.
A Semana Nacional de Trânsito, prevista pelo Código de Trânsito Brasileiro, transcorre de 18 a 25 de setembro, e tem ações que mobilizam a sociedade para um trânsito mais seguro. O tema definido este ano, "No trânsito, o sentido é a Vida", está em painéis de mensagens variáveis das rodovias e orienta as atividades. Dados do Ministério da Saúde mostram que em 2017, 35.374 pessoas morreram no trânsito brasileiro, número 6% menor que as 37.345 mortes registradas no ano anterior, mas ainda considerado alto.
Números do Infosiga SP, sistema de estatÃsticas de acidentes no trânsito do governo paulista, apontam aumento de 2,8% nas mortes em acidentes no Estado, em agosto deste ano, em comparação com o perÃodo anterior. Foram 478 casos este ano e 465 em agosto de 2018. No acumulado do ano, no entanto, houve redução de 1,6% no total de mortes - de 3.607 no ano passado, caiu para 3.549 neste ano.
Sem radar
No dia 18 de agosto, o presidente Jair Bolsonaro determinou ao Ministério da Justiça e Segurança Pública a suspensão no uso de radares móveis e portáteis até que o Ministério da Infraestrutura "conclua a reavaliação da regulamentação dos procedimentos de fiscalização eletrônica de velocidade em vias públicas". Conforme a resolução, o objetivo seria evitar "a utilização meramente arrecadatória" dos medidores de velocidade. Anteriormente, os radares haviam sido desligados, mas voltaram a funcionar após decisão judicial.
De acordo com o coordenador do SOS Estradas, Rodolfo Rizzotto, no perÃodo em que Bolsonaro mandou suspender contratos e a maior parte dos radares foi desligada, houve aumento em acidentes com mortes em rodovias federais do PaÃs, conforme pesquisa em dados da PolÃcia Rodoviária Federal. No perÃodo de 1 de abril a 31 de julho, os acidentes mataram 1.805 pessoas, média de 451,2 por mês, enquanto no perÃodo anterior, de 1 de janeiro a 31 de março, foram 1.195 mortes, média de 398,3 por mês. Segundo ele, pela primeira vez desde 2011 os Ãndices de mortes no trânsito aumentaram, em vez de caÃrem. O número de acidentes com vÃtimas e de feridos graves também aumentou.
O excesso de velocidade, segundo Rizzotto, é uma das principais causas de acidentes graves. "Quando se começa a falar em desligamento dos radares, a proibir a polÃcia de fiscalizar, cria-se na opinião pública a sensação de que tem liberdade para correr. É uma polÃtica para rodovias federais, mas é uma polÃtica pública. Justamente no perÃodo em que se falou nisso e se reduziu de fato a fiscalização, o número de acidentes e de mortes aumentou. A tendência é que isso se agrave. Esperamos que o presidente perceba o equÃvoco e volte atrás."
A Secretaria Estadual de LogÃstica e Transportes informou ter realizado ou apoiado mais de mil atividades da Semana Nacional de Trânsito. As ações, que incluem práticas de incentivo à saúde e cultura, estão sendo desenvolvidas em 31 cidades do Estado e são voltadas para todos os usuários das rodovias. O governo estadual está instalando 220 equipamentos fixos nas estradas com OCR (reconhecimento ótico de caracteres) para aumentar a segurança pública e rodoviária. Os aparelhos, que leem as placas dos veÃculos e transmitem informações em tempo real, entram em operação até o mês de novembro.
Fonte: Estadão Conteúdo