09/07/2021 10h10
Duas doses de Pfizer ou AstraZeneca geram resposta imune contra variante Delta
Duas doses das vacinas da Pfizer ou da AstraZeneca geram resposta imune contra a variante Delta em 95% dos pacientes vacinados, mesmo que ela seja capaz de escapar de alguns anticorpos monoclonais de laboratório, conforme estudo publicado pela revista cientÃfica Nature.
Os cientistas franceses responsáveis pela pesquisa, no entanto, indicam que a cepa é menos inibida por anticorpos presentes em pessoas que já tiveram covid-19 e não receberam nenhuma injeção ou que receberam apenas uma dose dos imunizantes.
De acordo com o estudo, as vacinas são de três a cinco vezes menos eficientes contra a variante Delta em relação à Alfa, originária do Reino Unido. Isso porque, na visão dos pesquisadores, as mutações presentes na proteÃna Spike, utilizada pelo vÃrus para entrar nas células, da variante Delta, "modificam potencialmente a ligação do vÃrus ao receptor da célula, permitindo que escape parcialmente da resposta do sistema imunológico".
A análise do sangue de pacientes que se recuperaram, nos 12 meses anteriores, da covid-19 revelou que precisam de concentrações de anticorpos quatro vezes maiores para neutralizar a variante Delta em comparação com a Alfa. No entanto, quando vacinados, esses indivÃduos apresentaram imunidade acima do limiar de neutralização da variante.
Além disso, uma única dose da vacina Pfizer ou da AstraZeneca foi pouco ou não eficaz contra as variantes Beta e Delta. Apenas 10% dos indivÃduos que receberam somente uma injeção foram capazes de neutralizar a variante indiana após uma dose.
Os pesquisadores estudaram a reatividade de anticorpos e do soro sanguÃneo de 103 pessoas com uma infecção anterior e de 59 indivÃduos vacinados com uma ou duas doses. Os anticorpos monoclonais terapêuticos analisados foram o Bamlanivimab, o Etesevimab, o Casirivimab e o Imdevimab; dos quais, apenas o Bamlanivimab "perdeu atividade antiviral".
A variante Delta já é a predominante em paÃses como Ãndia - onde foi detectada pela primeira vez -, Grã-Bretanha e Portugal. Além disso, conforme o Instituto Pasteur, estima-se que, dentro de algumas semanas ou meses, será a cepa majoritária em toda a Europa.
Fonte: Estadão Conteúdo