21/09/2020 12h00
Durante audiência no STF, Heleno minimiza queimada e afirma ser fenômeno natural
Em audiência no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a polÃtica ambiental do PaÃs, o ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Augusto Heleno, minimizou a alta nos números de desmatamento e queimadas, disse não haver "comprovação cientÃfica" de que há relação com a falta de ação do governo e atribuiu as crÃticas a uma tentativa de derrubar o presidente Jair Bolsonaro. "Esse é um dos pontos focais desse problema. Não podemos admitir e aceitar", afirmou o ministro. No mesmo encontro, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), defendeu responsabilização do agente público que negligencia polÃticas públicas sobre o meio ambiente.
A audiência pública foi convocada pelo Supremo para discutir uma ação, protocolada por partidos da oposição, que acusam o governo de não utilizar recursos disponÃveis para combater o desmatamento florestal no PaÃs. Na ação, os partidos narram que havia R$ 543 milhões disponÃveis em recursos reembolsáveis pelo Fundo Nacional sobre Mudança do Clima (Fundo Clima), geridos pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Deste orçamento, R$ 348,7 milhões foram empenhados, mas não foram executados, informa a ação.
Heleno rebateu a afirmação de que há uma "inação" do governo em relação ao combate dos incêndio na Amazônia e no Pantanal, que registraram alta nos últimos meses, segundo dados oficiais do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). "Tem a ver com fenômenos naturais, cuja ação humana é incapaz de impedir", disse o ministro.
O general que comanda o GSI afirmou também que argumentos falsos e números "fabricados e manipulados" são usado em campanhas para apresentar o PaÃs como "vilões do aquecimento e desmatamento". "Não podemos admitir e incentivar que nações, entidades e personalidades estrangeiras, sem passado que lhes dê autoridade moral para nos criticar, tenham sucesso no seu objetivo principal, obviamente oculto, mas evidente aos não inocentes: prejudicar o Brasil e derrubar o governo Bolsonaro."
Ele também relativizou o aquecimento global, afirmando que "as raÃzes" do assunto são discutidas por "cientistas famosos, com teses antagônicas".
Maia afirmou que é inconstitucional negligenciar polÃticas sobre o clima. "Precisamos impor ao agente público negligente a responsabilidade por frustrar de forma imotivada a aplicação de recursos destinado pelo Poder Legislativo a polÃticas de concretização de direitos fundamentais", disse.
O presidente da Câmara ainda apresentou números apontando baixa execução orçamentária de recursos do Fundo do Clima pelo governo Bolsonaro. "Em 2019, o valor autorizado estava na média, mas a execução ficou próxima de zero", disse. Ele ainda afirmou que o governo enviou ao Congresso, no fim de 2019, pedido de abertura de crédito de R$ 195 milhões ao fundo. "Não foi possÃvel fazer nada. O que apenas inflou artificialmente o valor autorizado ao fundo em 2019."
"Espero que o STF, a partir do trabalho de escuta e reflexão, seja capaz de contribuir para a construção de saÃda para esse estado de coisas inconstitucional. Espero que a construção da saÃda ajude-nos a renovar compromisso assumido pela assembleia constituinte", disse Maia. Segundo o presidente da Câmara, o desmatamento tem prejudicado o agronegócio.
Maia disse que a apresentação do caso ao STF pelas legendas "parece ter estimulado medidas" no governo, como recomposição do comitê gestor do fundo, além do repasse de recursos para o BNDES.
Convocada pelo relator da ação, o ministro LuÃs Roberto Barroso, a audiência pública se encerra na terça-feira, 22. Até lá serão ouvidos autoridades e órgãos públicos, organizações sociais e institutos de pesquisa, além de representantes da academia de empresas. O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, também será ouvido nesta segunda-feira.
Fonte: Estadão Conteúdo