09/11/2017 11h00
Em nota, ex-controladora de SP alertou sobre 'retrocesso'
Dias antes de ser exonerada, a então controladora-geral do MunicÃpio, Laura Mendes, emitiu uma nota técnica em que buscava manter a independência da Controladoria-Geral do MunicÃpio (CGM), responsável pela polÃtica de transparência e por investigar órgãos do governo municipal. O secretário municipal de Justiça, Anderson Pomini, teve acesso ao documento, que também foi colocado no site da Prefeitura, mas não acatou a sugestão. Hoje, a CGM está subordinada a ele.
Na prática, a nota defende que uma das divisões da CGM, a transparência passiva, não fosse transferida para a Ouvidoria, que tem como foco o exame de denúncias de irregularidades e má prestação de serviços.
Laura vinha enfrentando atritos constantes com a gestão Doria. A avaliação de servidores próximos era de que ela havia conseguido manter a independência, mas a custo desse desgaste. Procuradora de carreira, a ex-controladora assumiu a CGM na gestão Doria e foi demitida por ele em agosto.
A independência de entidades que fiscalizam a transparência de órgãos públicos é regra em diversos paÃses bem avaliados neste quesito, segundo especialistas. É o que acontece no México, por exemplo, que ocupa o primeiro lugar de um ranking mundial de direito à informação produzido pela ONG canadense Centre for Law and Democracy. "Eles (no México) decidem os recursos de acesso à informação independentemente do governo, como se fossem ministros de um tribunal. Os membros têm indicações diversas, inclusive da sociedade civil", destaca o professor da Fundação Getulio Vargas (FGV) no Rio Robert Gregory Michener, especialista em Lei de Acesso à Informação.
Para o vice-presidente da ONG Transparência Brasil, Claudio Weber Abramo, "São Paulo, a cidade mais rica do PaÃs, não pode ter um mecanismo desses dando um passo para trás".
Posição
Na nota, Laura aponta "consequente desmantelamento institucional" e "comprometimento da polÃtica municipal de transparência e abertura de dados" caso a mudança fosse implementada. "Reintegrar a Divisão de Transparência Passiva à Ouvidoria apresenta um sério risco de queda da eficiência tanto nas ações de transparência pública governamental quanto nas ações especÃficas de Ouvidoria, além de inadmissÃvel retrocesso com relação à s melhores práticas e modelos internacionalmente consagrados e reconhecidos."
Também por meio de nota, a Prefeitura diz que "a nota técnica subscrita pela ex-controladora não foi ignorada, mas revela apenas e tão somente o interesse em que o órgão continuasse com o status de secretaria". A CGM, por sua vez, afirma que "não houve qualquer alteração em sua independência, haja vista o incremento de sua estrutura, atribuições e força de trabalho".
Demissão
O prefeito de São Paulo, João Doria, demitiu nesta quarta-feira, 8, o chefe de gabinete da Secretaria Especial de Comunicação, Lucas Tavares, que atuou para dificultar a obtenção de dados públicos solicitados via Lei de Acesso a Informação (LAI), conforme revelou o jornal O Estado de S. Paulo.
No mesmo dia, o Ministério Público Estadual de São Paulo instaurou inquérito civil para apurar a conduta de Tavares e o funcionamento da Comissão Municipal de Acesso à Informação (CMAI). As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Fonte: Estadão Conteúdo