29/12/2016 08h54
Entidade que representa policiais recomenda cancelar festa de réveillon no Rio
Três dias antes da festa de réveillon que deve reunir 2 milhões de pessoas na praia de Copacabana, na zona sul do Rio, uma entidade que representa os policiais militares e bombeiros do Estado do Rio divulgou nesta quarta-feira, 28, carta aberta em que recomenda à Prefeitura do Rio que cancele esse evento e as outras nove festas organizadas pelo municÃpio para comemorar a chegada de 2017.
"Antevendo a possibilidade da ocorrência de manifestações que, pela amplitude e quantidade de pessoas envolvidas, poderão tomar proporções violentas e atentatórias à integridade da população presente ao evento", a Associação de Oficiais Militares Ativos e Inativos da PolÃcia Militar e do Corpo de Bombeiros do Estado do Rio de Janeiro (Aomai) "recomenda o cancelamento dos shows artÃsticos e pirotécnicos no municÃpio do Rio", diz a carta, assinada pelo presidente da entidade, Adalberto de Souza Rabelo.
Para justificar a recomendação, a entidade - que reúne cerca de 200 oficiais, entre policiais militares e bombeiros - também cita "a grave crise polÃtica e financeira" do Estado do Rio e afirma que essa crise tem causado "sérios prejuÃzos financeiros aos servidores públicos e militares, inativos e pensionistas" e que "tal situação se arrasta há um ano e tem gerado inúmeros protestos contra a administração estadual, com reflexos na segurança pública". Segundo a entidade, "a possibilidade de ocorrência desses protestos durante os festejos do Réveillon" pode ter "dimensão e alcance incalculáveis", hipótese "factÃvel (...) pelas ocorrências verificadas anteriormente antes e durante a Copa do Mundo de 2014 e a OlimpÃada de 2016".
Ao encerrar a carta, a entidade afirma que faz a recomendação baseada "na prevenção e no dever de ofÃcio, axiomas da polÃcia ostensiva e de preservação da ordem pública".
Além do prefeito Eduardo Paes (PMDB), a carta também é destinada ao governador do Estado, Luiz Fernando Pezão (PMDB), aos comandantes da PolÃcia Militar e do Corpo de Bombeiros do Estado, à população e à imprensa.
"A carta não é contra o governo, é simplesmente para garantir a segurança das pessoas", afirma o coronel reformado da PM Paulo Ricardo Paul, que integra o conselho fiscal da entidade. "Muitos servidores públicos estão sem salário, em situação de desespero. E pessoas desesperadas tendem a adotar soluções desesperadas. Como a Guarda Municipal e a PM vão impedir que alguém jogue um rojão no meio da multidão?", questiona Paul. "Tem muita gente insatisfeita. A prefeitura vai gastar cerca de R$ 5 milhões com esse evento, e se emprestasse esse dinheiro ao Estado permitiria o pagamento de muitos servidores que estão sem condições até mesmo para comprar comida", afirma. "Se o evento for mantido, torcemos para que não haja nenhum tumulto, mas é inegável que essa é a fórmula para dar alguma coisa errada", conclui o coronel reformado.
A Prefeitura do Rio informou que não vai se pronunciar sobre a recomendação da Aomai.
A festa em Copacabana terá shows musicais a partir das 18 horas de sábado (31), com atrações como Léo Jaime, Alceu Valença, Elba Ramalho e Geraldo Azevedo, e um show de fogos de artifÃcio com duração de 12 minutos, a partir da meia-noite do dia 31. A Prefeitura gastou cerca de R$ 5 milhões com o evento. Também haverá comemoração organizada pelo municÃpio em outros nove locais, entre eles a Barra da Tijuca (zona oeste) e o Parque Madureira (zona norte).
Fonte: Estadão Conteúdo