13/07/2017 15h00
Estudo mostra que vacina do Evandro Chagas protege contra zika
A vacina contra zika desenvolvida no Instituto Evandro Chagas no Pará demonstrou ser eficaz em testes de camundongos. Estudo conduzido pelo centro em parceria com a Universidade do Texas e com o Instituto Nacional de Alergias e Doenças Infecciosas dos Estados Unidos mostra que a vacina desenvolvida pela instituição impede a infecção pelo vÃrus em fêmeas e em seus embriões. Publicado na revista cientÃfica Cell, o resultado abre caminho para os testes do imunizante em humanos.
"A expectativa é de que iniciemos os estudos clÃnicos em voluntários a partir de janeiro", afirmou o diretor do Instituto Evandro Chagas, Pedro Vasconcelos.
A confiança se dá não apenas pelos resultados agora publicados na revista americana. A equipe chefiada por Vasconcelos já concluiu um estudo para avaliar a eficácia da vacina em primatas, com resultados igualmente promissores. Os detalhes desse outro trabalho, no entanto, somente deverão ser anunciados depois da publicação em revista especializada.
Experimento
O estudo divulgado nesta quinta-feira, 13, foi feito a partir da observação de 46 fêmeas de camundongo. Metade do grupo recebeu a vacina desenvolvida pelo instituto e metade recebeu placebo. Passados 28 dias, animais foram testados. O grupo vacinado apresentou altos Ãndices de anticorpos contra zika.
Em uma outra etapa, todas as fêmeas acasalaram. Dias depois, foram expostas ao vÃrus. Nos camundongos vacinados, foram encontrados apenas traços genéticos de zika, mas em uma quantidade considerada pouco significativa. Além disso, não foram encontrados traços de vÃrus na placenta ou em tecidos cerebrais dos fetos de camundongos que haviam sido imunizados.
Os resultados foram obtidos com a aplicação de uma dose do imunizante. Pesquisadores repetiram o estudo com outra vacina, desenvolvida pelo grupo Valera. Para esse braço do trabalho, 19 fêmeas de camundongos receberam duas doses da vacina. Um grupo controle, com 19 fêmeas, recebeu placebo. As fêmeas também acasalaram e, já prenhas, foram expostas ao vÃrus zika. Os traços de vÃrus encontrados nas mães, nas placentas e nos fetos foram baixos no grupo imunizado.
"Os trabalhos indicam que as duas vacinas exercem um papel protetor. A diferença é a de que do instituto é preciso apenas uma dose", avalia Vasconcelos.
VÃrus atenuado
O imunizante desenvolvido pelo Instituto Evandro Chagas é feito a partir do vÃrus zika atenuado. Por se tratar de organismo geneticamente modificado, o imunizante precisa passar pelo crivo da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTBio). Além disso, é necessária a aprovação da Comitê de Ética de da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Somente depois de concluÃda estas etapas é que testes clÃnicos poderão ser realizados.
Vasconcelos disse não ter dúvida de que uma nova onda de epidemia de zika poderá se instalar no PaÃs. "Não sabemos quantos anos isso deverá levar. Mas não há dúvidas de que ela virá", avaliou.
A intenção, disse, é concluir os testes do imunizante antes de que uma nova epidemia provocada pelo vÃrus ocorra no PaÃs.
O projeto prevê inicialmente que a vacina seja indicada para mulheres em idade fértil e seus parceiros. Como o imunizante não é indicado para gestantes e para evitar o risco de que mulheres neste estado tomem a vacina inadvertidamente, o protocolo poderá ser mudado numa outra etapa. Seriam incluÃdas crianças de até 10 anos, de ambos os sexos.
Fonte: Estadão Conteúdo