25/08/2016 19h27
Estudo revela como vírus da zika se multiplica após transmissão sexual
Um novo estudo realizado por cientistas americanos mostra que o vÃrus da zika, quando transmitido sexualmente, alastra-se desde os genitais da mãe até o cérebro do feto. De acordo com a pesquisa, publicada na revista cientÃfica Cell, o vÃrus encontra na vagina um nicho onde consegue se replicar por um extenso perÃodo.
Para estudar o processo de transmissão sexual, o grupo de cientistas, liderado por Akiko Iwasaki, da Universidade de Yale (Estados Unidos), desenvolveu o primeiro modelo em camundongos para estudar a infecção vaginal pelo vÃrus zika.
"O vÃrus da zika parece encontrar um nicho na vagina. Observamos em nosso modelo que esse é o lugar onde o vÃrus pode se replicar por um perÃodo extenso de tempo. Em camundongos gestantes, a infecção vaginal pode levar à infecção cerebral e à restrição do crescimento do feto", disse Akiko.
O laboratório coordenado por Akiko estuda há anos as infecções virais, inicialmente em mucosas genitais pelo vÃrus da herpes. De acordo com a cientista, seu interesse na zika foi despertado quando começaram a aparecer relatos de que o vÃrus pode ser transmitido sexualmente.
"Utilizando nosso conhecimento sobre herpes genital, nós tentamos compreender como o vÃrus da zika se comporta quando é transmitido através da vagina. Já se previa que a mucosa vaginal seria um local adequado para a replicação do vÃrus, mas não havia nenhuma evidência fortemente embasada, por isso criamos esse modelo de estudos em camundongos", afirmou Akiko.
Os camundongos, normalmente, não são suscetÃveis à zika e, em outros modelos de estudos de infecção, os animais precisam antes passar por um processo de engenharia genética para que se tornem vulneráveis ao vÃrus. Mas no caso da infecção vaginal, a equipe de Yale descobriu que o vÃrus pode sobreviver e se replicar por vários dias nas mucosas, mesmo em camundongos comuns. "Esse foi o achado mais surpreendente do estudo", disse Akiko.
Quando os cientistas produziram uma infecção vaginal com o vÃrus da zika em camundongos gestantes normais, eles observaram infecção cerebral e um retardamento no desenvolvimento do cérebro dos fetos. Já nos animais geneticamente modificados para se tornarem vulneráveis à zika, o vÃrus se replicou descontroladamente no feto e causou abortos espontâneos.
Os cientistas pretendem agora prosseguir com as pesquisas sobre a infecção vaginal pelo vÃrus da zika em ambos os tipos de animais. "Estudar as duas coisas paralelamente nos permite enxergar todo o espectro da doença", explicou.
A equipe está trabalhando agora, segundo Akiko, em diversas questões crÃticas para o novo modelo. Uma delas consiste em descobrir qual rota o vÃrus toma na mucosa vaginal para infectar o feto. "O fato de que um vÃrus transmitido sexualmente pode terminar no cérebro do feto é preocupante. Estamos fazendo uma investigação rigorosa sobre isso", afirmou.
Fonte: Estadão Conteúdo