26/04/2017 20h30
Fósseis sugerem que hominídeos chegaram às Américas bem antes do que se pensava
O gênero Homo - linhagem de hominÃdeos que culminou no aparecimento dos humanos modernos - pode ter chegado à s Américas muito antes do que se imaginava, de acordo com um novo estudo sobre um conjunto de ossos de mastodonte descoberto no sul da Califórnia.
O novo estudo, publicado nesta quarta-feira, 26, na revista Nature, revela que os ossos de mastodonte estudados apresentam sinais de modificações feitas com ferramentas de pedra há mais de 130 mil anos. A data é cerca de 115 mil anos anterior à mais antiga evidência conhecida da presença humana no continente.
Segundo os autores da pesquisa, caso as modificações tenham mesmo sido feitas por uma espécie ainda não identificada de hominÃdeo, a história da presença humana nas Américas precisaria ser reescrita.
O estudo foi liderado por arqueólogos de duas instituições americanas: Steven Holen, do Museu de História Natural de San Diego e Thomas Deméré, do Centro de Pesquisa do PaleolÃtico Americano em Hot Springs, no Dakota do Norte.
"Essa descoberta está reescrevendo nossa compreensão sobre como os humanos chegaram ao Novo Mundo. As evidências que encontramos indicam que algumas espécies de hominÃdeos já estavam vivendo na América do Norte 115 mil anos antes do que pensávamos", declarou Judy Gradwohl, diretora-presidente do Museu de História Natural de San Diego.
Os ossos de mastodonte - um parente distante dos elefantes - foram desenterrados no inÃcio da década de 1990, ao lado de uma série de utensÃlios como martelos e bigornas de pedra, quando os paleontólogos faziam um acompanhamento preventivo de obras de expansão rodoviária na região de San Diego.
As marcas encontradas nos ossos, segundo os cientistas, foram feitas quando eles ainda estavam frescos e as ferramentas apresentam marcas indicam seu uso para quebrar os ossos naquele local. Até agora, no entanto, os pesquisadores não haviam conseguido datar o conjunto de ossos, porque não havia colágeno nas amostras. No novo estudo, utilizando uma tecnologia de datação por urânio, eles descobriram que as marcas foram feitas há pouco mais de 130 mil anos, presumivelmente por indivÃduos do gênero Homo.
"Não há dúvidas de que se trata de um sÃtio arqueológico. Os ossos e vários dentes de mastodonte mostram claros sinais de que foram deliberadamente quebrados por indivÃduos com destreza manual e conhecimento empÃrico. Esses padrões de fragmentação já haviam sido observados em fósseis de mamutes em sÃtios no Kansas e no Nebraska", disse Holen.
Fonte: Estadão Conteúdo