24/06/2016 10h15
Fundação FHC debate papel municipal na gestão hídrica
A gestão dos recursos hÃdricos nas grandes cidades precisa passar também pelos municÃpios, visto que as ações urbanas têm impacto direto no consumo e na oferta de água e são as cidades que sofrem com problemas como enchentes, inundações e contaminação da água.
Com esse mote, a Fundação Fernando Henrique Cardoso está organizando uma série de discussões e deve lançar em julho uma plataforma de vÃdeos e documentos abordando o tema.
"Pela Constituição, a gestão da água cabe ao Estado e à União, mas o uso do solo, o Plano Diretor, que cabem ao municÃpio, têm consequência sobre o recurso hÃdrico. Mas em nenhum momento foi definido qual seria o papel do municÃpio nisso", afirmou Jussara Carvalho, assessora da vice-presidência da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) e ex-secretária de Ambiente de Sorocaba.
Ela participou do evento As águas no território das grandes cidades: um desafio à s polÃticas públicas, realizado ontem na sede da fundação, em São Paulo.
Jussara contou a experiência que teve ao participar do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Sorocaba e Médio Tietê. "É um comitê com alta participação de prefeitos. Nunca fiz esse teste, mas acho que se fizéssemos uma pergunta sobre qual eles acham que é o papel deles ali, acho que poucos saberiam dizer", brincou, ao defender a discussão de maneiras de integrar as ações municipais à questão, como a interlocução entre o Plano Diretor e diretrizes da Secretaria de Recursos HÃdricos.
Antonio Eduardo Lanna, consultor em planejamento e gestão de recursos hÃdricos, disse que as soluções que cabem aos municÃpios passam por planos de ordenamento territorial e de proteção aos mananciais, coleta e tratamento de esgoto e cobrança pelo tratamento.
O foco da discussão foi na região metropolitana de São Paulo em face da crise hÃdrica enfrentada a partir de 2014. "O fato de que a gente teve uma crise hÃdrica expôs os problemas de gestão. Agora, vamos ter eleições municipais. Temos muita 'falação' e pouca discussão consistente do que os governos municipais têm de fazer. As questões de água poucas vezes aparecem em campanhas, a não ser com promessas miraculosas. É preciso entender que os municÃpios têm desafios pela frente e não vão resolver fazendo mais do mesmo, têm de encontrar outros caminhos", defendeu Stela Goldenstein, diretora executiva da organização Ãguas Claras do Rio Pinheiros.
Curso
Ela organizou o programa educacional que deve entrar no site da fundação em duas semanas com o tema As cidades e as águas. Estarão disponÃveis vÃdeos sobre 14 grandes temas, como usos múltiplos de água, poluição, gestão dos recursos, saneamento/enchentes e inundações, crise hÃdrica e mananciais, falas de especialistas e documentos complementares. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Fonte: Estadão Conteúdo