25/05/2021 16h20
Garimpeiros se mobilizam em grupos de WhatsApp para avisar sobre operação
Alvos de uma operação que envolve a Força Nacional e o Ibama nesta terça-feira, 25, garimpeiros que atuam ilegalmente na região de Jacareacanga e Itaituba, no Pará, disseminam informações a todo instante entre si, na tentativa de alertar sobre a chegada das policiais.
O Estadão teve acesso a uma série de troca de mensagens enviadas por meio de grupos de Whatsapp, que reúnem garimpeiros da região. Nos áudios, eles alertam sobre o deslocamento das equipes, números de carros e helicópteros mobilizados para apoiar o trabalho da PolÃcia.
A maior preocupação é esconder equipamentos ou retirá-los a tempo, antes que os agentes cheguem e destruam o material. A destruição de máquinas usadas pelos criminosos é uma ação prevista em lei e, inclusive, recomendável em uma série de situações. Muitas vezes, o descolamento dos equipamentos oferece risco aos agentes, que podem ser alvos de emboscada durante a mobilização. Paralelamente, a queima dos bens impossibilita a sua retomada e reutilização pelos criminosos. O presidente Jair Bolsonaro já se posicionou, em diversas ocasiões, contra a queima dos equipamentos.
Os relatos compartilhados nesta terça-feira, 25, dão conta de que há equipamentos já em destruição. Nas ações criminosas, os garimpeiros costumam levar, para dentro da floresta, retroescavadeiras de grande porte, conhecidas como "PCs". Trata-se de máquinas caras, que custam, facilmente, cerca de R$ 500 mil.
Itaituba e Jacareacanga são municÃpios que estão à s margens do Rio Tapajós, em uma das áreas mais cobiçadas do PaÃs pela extração ilegal de ouro. Na região, vivem mais de 14 mil indÃgenas das etnias munduruku e apiaká, em 145 aldeias.
Só em 2020, uma área equivalente a mais de 2 mil campos de futebol foram desmatadas dentro das terras indÃgenas Munduruku e Sai Cinza, no alto Tapajós. Os dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) - órgão ligado ao Ministério da Ciência e Tecnologia, responsável pelos dados oficiais de desmate - confirmam a derrubada de 2.052 hectares da floresta.
O desmatamento na região em 2020 supera o volume já alarmante de 2019, quando 1.835 hectares de floresta foram perdidos na terra indÃgena Munduruku. Já na terra Sai Cinza, que é vizinha da primeira, houve explosão de desmatamento, saindo de 16 hectares em 2019 para 304 hectares no ano passado.
Fonte: Estadão Conteúdo