21/05/2018 21h10
Grande parte das pessoas no Paiçandu não é vítima do desabamento, diz Prefeitura
As Defensorias Públicas do Estado e da União ingressaram na Justiça com uma ação civil pública solicitando atendimento emergencial à s famÃlias que viviam no EdifÃcio Wilton Paes de Almeida, que desabou durante um incêndio no dia 1º de maio no centro de São Paulo. À Justiça Federal, os órgãos pediram que seja fornecida moradia adequada e sugere três imóveis vazios próximos ao local do desabamento e que possuem condições para uso habitacional, acrescentando ainda a necessidade de pagamento de auxÃlio moradia por tempo indeterminado.
Em nota, a Prefeitura de São Paulo afirma que pagamento do aluguel social já começou. "Até o momento, 149 famÃlias que moravam no edifÃcio foram cadastradas para receber o auxÃlio-moradia pela Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU), do Governo do Estado, pelo perÃodo de 12 meses."
Até que esses pedidos sejam providenciados, dizem as defensorias, deve ser fornecida "estrutura digna" à s vÃtimas que permanecem instaladas no Largo do Paiçandu. Os órgãos apontam que representantes dos governos federal, estadual e municipal estiveram na área, mas só houve disponibilização de vagas em albergues municipais, usados pela população em situação de rua.
"A maioria das vÃtimas não aceitou o alojamento em albergues, pois não haveria a possibilidade das famÃlias permanecerem unidas", diz, em nota, a defensora-coordenadora do Núcleo de Habitação e Urbanismo da Defensoria Estadual, Luiza Lins Veloso. "Desde o incidente, a maior parte das vÃtimas permanece desabrigada no Largo do Paiçandu, sem o atendimento adequado", acrescentou.
O órgão estadual lembrou que foi anunciada a concessão de auxÃlio moradia pelo prazo de um ano, sendo a primeira parcela no valor de R$1.200 e outras onze parcelas de R$ 400 cada. A Defensoria acredita que o prazo considerado curto de vigência do auxÃlio poderá fazer com que as famÃlias voltem a se tornarem desabrigadas. "Tanto o Estado quanto municÃpio informaram que não havia previsão de atendimento habitacional definitivo à s famÃlias. Ou seja, passado o prazo de um ano do recebimento do auxÃlio moradia, as famÃlias voltarão ao estado atual de desabrigados, pois, por óbvio, não conseguirão adquirir uma moradia definitiva e, ainda, não terão mais o auxÃlio para o pagamento de aluguel", disse Luiza Lins Veloso.
Além do atendimento emergencial, a ação requer, ainda, que as famÃlias sejam indenizadas pelo poder público a tÃtulo de danos morais coletivos e de danos morais sociais.
AuxÃlio
Segundo a Prefeitura, após o término do perÃodo de 12 meses do auxÃlio moradia dado pela Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano, haverá continuidade do benefÃcio até que haja atendimento definitivo à s famÃlias desabrigadas pelo incêndio. "O pagamento do aluguel social já começou. Até o momento, 149 famÃlias que moravam no edifÃcio foram cadastradas para receber o auxÃlio-moradia pela Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU), do Governo do Estado, pelo perÃodo de 12 meses: R$ 1.200 no primeiro mês e de R$ 400 a partir do segundo. Depois deste perÃodo, a Prefeitura assumirá o pagamento mensal no mesmo valor de R$ 400."
A administração municipal informou que as famÃlias que ainda não estão recebendo devem requerer o benefÃcio na Central de Habitação, na avenida São João, 299.
A Prefeitura segue oferecendo acolhimento aos desabrigados, mas não pode obrigá-las a aceitar os serviços de assistência. Também não pode incentivar sua permanência em condições insalubres no largo, com oferta de infraestrutura. Foram feitos 1166 encaminhamentos desde o incêndio. A maioria das famÃlias vÃtimas do incêndio foi acolhida pela Prefeitura, seguiu para casas de parentes ou foi realocada pelo próprio movimento."
A Prefeitura rebateu ainda a informação de que os abrigos não poderiam acolher famÃlias, como dito pelas defensorias. "A Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social (SMADS) conta também com abrigos voltados para famÃlias, que foram oferecidos para as vÃtimas. As vagas para acolhimento são oferecidas de acordo com a especificidade de cada pessoa abordada pelas equipes de assistência social."
A administração disse ainda que "grande parte das pessoas que se encontram no Largo Paiçandu não é de vÃtimas do desabamento, mas sim de pessoas atraÃdas pelas doações feitas no local". A nota diz ainda que a Secretaria de Direitos Humanos e Cidadania enviou ofÃcio à Promotoria da Infância e Juventude informando sobre as condições de vulnerabilidade de cerca de 15 crianças e adolescentes cujas famÃlias estão acampadas no Largo Paiçandu. A atuação do Ministério Público, em conjunto com o Conselho Tutelar e a Justiça, pode facilitar que as famÃlias aceitem deixar a praça.
Fonte: Estadão Conteúdo