15/08/2016 07h54
Haddad encerrará gestão com 7,7 mil concursados à espera de nomeação
O prefeito Fernando Haddad (PT) vai fechar seu governo com uma fila de 7,7 mil concursados à espera de nomeação. Para não ultrapassar o teto com pagamento de pessoal e, portanto, não ferir a Lei de Responsabilidade Fiscal, a gestão petista resolveu adiar a contratação de médicos, assistentes sociais, agentes de gestão pública, guardas-civis e outros profissionais que comporiam o quadro deficitário de ao menos oito secretarias. As mais afetadas são Saúde e Segurança Urbana.
No caso da Guarda Civil Metropolitana (GCM), há aprovados que esperam há mais de dois anos pela nomeação. A homologação do concurso foi feita em março de 2014 e, por causa do atraso, a Prefeitura teve de pedir à Justiça a prorrogação do prazo da seleção - a validade era de dois anos. Das 1.693 vagas ofertadas, somente 609 foram preenchidas até hoje. No plano de metas de Haddad, a promessa é a de nomear 2 mil guardas em quatro anos.
A demora complica a vida de quem está desempregado ou mesmo de quem comemorou o resultado das provas antes de ter seu nome publicado no Diário Oficial da Cidade. Foi o caso do segurança Souza (nome fictÃcio), de 29 anos. Quando soube que havia sido aprovado no concurso para compor o quadro da GCM, o segurança pediu demissão do emprego. "Tinha certeza de que logo seria chamado, mas me arrependi", afirma.
O preço dessa precipitação é pago até hoje por Souza, que está sem emprego fixo. "Continuo morando com a minha mãe. A situação está apertada e ela me ajuda. Hoje, estamos vendendo lanches", diz o concursado, que chegou a participar do acampamento de GCMs montado em frente à sede da Prefeitura, ocorrido no mês passado, para protestar contra o descaso com a categoria.
Fábio (nome fictÃcio) vive a mesma situação. Largou o emprego depois de ser aprovado no concurso de 2014 e até hoje aguarda pela convocação da Prefeitura. "Diziam que era para nós ficarmos preparados porque, em outubro (de 2014), aconteceria a segunda chamada. Eu, com toda inocência, pedi para ser mandado embora do trabalho. Foi a decisão mais errada da minha vida." Sem o cargo de guarda-civil, Fábio faz bico de segurança.
Saúde
A realidade dos candidatos a guarda-civil é a mesma da de diversas categorias da área da saúde. Contando o concurso homologado neste ano, para contratação de 1.090 médicos generalistas, são 4.190 profissionais na espera. Além de médicos, a lista inclui, por exemplo, psicólogos, dentistas, enfermeiros, fisioterapeutas e fonoaudiólogos.
O prejuÃzo provocado pelo atraso na convocação é facilmente notado nas unidades que compõem a rede municipal de saúde sob gestão direta da Prefeitura. A estimativa é de que apenas nos hospitais da autarquia municipal o déficit de médicos passe de mil. Desde 2013, a Secretaria Municipal da Saúde convocou 600 dos 2 mil previstos em dois concursos.
Para o presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Administração Pública e Autarquias de São Paulo (Sindsep), Sergio Antiqueira, a Prefeitura deveria reservar os recursos necessários para novas contratações já durante a elaboração das leis orçamentárias. "Estamos em contato com os vereadores para que isso ocorra na LOA (Lei Orçamentária Anual) de 2017.
Quando as nomeações não ocorrem, o prejuÃzo não é só de quem passou no concurso, mas da cidade como um todo. A qualidade do atendimento à população depende disso."
O Sindsep exige a elaboração e divulgação de um calendário de convocações dos nomeados. "É preciso dar uma satisfação à s pessoas. Essa justificativa de que não se pode nomear por causa da Lei de Responsabilidade Fiscal não se sustenta. O MunicÃpio não só não ultrapassou o limite permitido, como está longe disso", diz Antiqueira, referindo-se ao teto de 54% sobre as receitas lÃquidas correntes. Em 2015, o porcentual foi de 35%.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Fonte: Estadão Conteúdo