15/02/2021 18h17
Homem negro é espancado e morto por segurança e PM em Carrefour de Porto Alegre
Um homem negro foi espancado e morto por dois homens brancos em uma unidade do supermercado Carrefour em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, na noite desta quinta-feira, 19. Informações preliminares apontam que os agressores foram um segurança e um PM temporário. A vÃtima, João Alberto Silveira Freitas, tinha 40 anos. A PolÃcia Civil do Estado investiga o crime. Nesta sexta-feira, 20, comemora-se o Dia da Consciência Negra.
De acordo com o delegado Leandro Bodoia, plantonista da Delegacia de HomicÃdio e Proteção à Pessoa, teria havido um desentendimento entre a vÃtima e funcionários. Testemunhas disseram que João Alberto fez "gestos agressivos" dentro do supermercado enquanto passava as compras pelo caixa. "Não foi nada muito grave", diz o delegado. Neste momento, os seguranças foram chamados e o conduziram para fora da loja. A esposa da vÃtima seguiu dentro do estabelecimento finalizando a compra.
Segundo Bodoia, câmeras de segurança mostraram o homem desferindo um soco no segurança. Neste momento teriam começado as agressões. Além do segurança do Carrefour, um policial militar temporário que estaria no local como cliente também participou do crime. Quando a esposa de João Alberto saiu do supermercado em direção ao estacionamento, viu a cena. Uma ambulância do Samu foi ao local e tentou reanimá-lo, mas ele não resistiu às agressões. Os suspeitos foram presos em flagrante.
O delegado afirma ainda que nenhuma arma foi usada no crime. A perÃcia no local foi realizada no fim da noite desta quinta-feira. Agora, a polÃcia vai analisar as imagens de câmeras de segurança e de testemunhas e vai colher depoimentos.
Em um vÃdeo que circula pela redes sociais, a vÃtima está gritando enquanto recebe socos no rosto. Ao fundo, uma pessoa grita "vamos chamar a Brigada (Militar)". Uma mulher vestindo uma camisa branca e um crachá, que também seria funcionária do supermercado, aparece ao lado dos agressores filmando a ação. Ela já foi identificada e será ouvida.
Em nota enviada à reportagem, o Grupo Carrefour considerou a morte "brutal" e disse que "adotará as medidas cabÃveis para responsabilizar os envolvidos". Afirmou também que vai romper o contrato com a empresa responsável pelos seguranças e que o funcionário que estava no comando da loja durante o crime "será desligado". O grupo disse ainda que a loja será fechada em respeito à vÃtima e que dará o "suporte necessário" à famÃlia da vÃtima.
Leia a nota na Ãntegra:
"O Carrefour informa que adotará as medidas cabÃveis para responsabilizar os envolvidos neste ato criminoso. Também romperá o contrato com a empresa que responde pelos seguranças que cometeram a agressão. O funcionário que estava no comando da loja no momento do incidente será desligado. Em respeito à vÃtima, a loja será fechada. Entraremos em contato com a famÃlia do senhor João Alberto para dar o suporte necessário.
O Carrefour lamenta profundamente o caso. Ao tomar conhecimento deste inexplicável episódio, iniciamos uma rigorosa apuração interna e, imediatamente, tomamos as providências cabÃveis para que os responsáveis sejam punidos legalmente.
Para nós, nenhum tipo de violência e intolerância é admissÃvel, e não aceitamos que situações como estas aconteçam. Estamos profundamente consternados com tudo que aconteceu e acompanharemos os desdobramentos do caso, oferecendo todo suporte para as autoridades locais".
Histórico de agressões
Outro fato semelhante aconteceu no supermercado Extra, do grupo GPA, em fevereiro do ano passado. Pedro Gonzaga, um jovem negro de 19 anos, foi imobilizado e morto por um segurança de uma unidade do Rio de Janeiro. Na época, imagens mostravam o segurança deitado sobre o jovem, que estava aparentemente desacordado. As investigações apontaram que a vÃtima não portava armas e não oferecia risco algum.
Esta também não é a primeira vez que o Grupo Carrefour protagoniza uma história de agressão. Em dezembro de 2018, um outro segurança do supermercado que trabalhava em uma unidade de Osasco (SP) confessou ter envenenado um cachorro e, depois, o espancou até a morte. Meses depois, o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) estipulou que o Carrefour deveria pagar R$ 1 milhão em razão dos maus-tratos cometidos pelo funcionário. O fato gerou grande mobilização nas redes sociais.
Fonte: Estadão Conteúdo