23/07/2016 10h00
Ida da Força Nacional ao RJ afeta segurança em Estados
A retirada de agentes da Força Nacional de Segurança de missões em andamento no PaÃs tem deixado Estados "órfãos" do apoio federal em meio a um cenário de acirramento da criminalidade. O deslocamento faz parte dos esforços para a segurança da OlimpÃada no Rio, que começa no dia 5, e que deverá contar com cerca de 6 mil homens e mulheres dessa tropa vindos de diversas localidades do território nacional.
No Ceará, onde as equipes atuavam em presÃdios após uma onda de rebeliões no primeiro semestre deste ano, a saÃda dos policiais foi seguida pela volta dos conflitos nas unidades prisionais. Nesta semana, ônibus foram incendiados no que teriam sido atos ordenados por facções organizadas de dentro das cadeias. Também houve ataques a agentes e a prédios públicos.
Em Alagoas, Estado com a maior taxa de assassinatos por 100 mil habitantes (61,9, ante 26,3 da média nacional), a retirada de parte da tropa afetou principalmente o setor de investigações de homicÃdios da capital, Maceió. No Rio Grande do Norte, onde além de apoio nos presÃdios havia até efetivo para guarda-vidas no litoral, a saÃda também foi sentida. Nesses três Estados, quase 500 agentes deixaram as missões para integrar a operação no Rio.
Especialistas apontaram que, criadas para ser um apoio temporário, as ações da Força têm se estendido cada vez mais diante da dificuldade de regiões mais violentas em controlar a criminalidade. No Nordeste, a expectativa de governantes é de que, após as competições, as equipes possam voltar aos locais das missões originalmente desenvolvidas.
Dados do Ministério da Justiça mostram que a atuação das equipes já se estende, em média, por seis meses em cada localidade e que quase todas as unidades federativas do PaÃs requisitam o apoio anualmente. Em 2014, foram gastos R$ 140 milhões pela União em despesas com diárias, deslocamentos e equipamentos de serviço.
O Ministério da Justiça informou, em nota, que a tropa "atua em caráter episódico e planejado", atendendo a "necessidades emergenciais, quando se é detectada urgência de reforço na área de segurança".
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Fonte: Estadão Conteúdo