21/06/2016 14h57
Inflamação da picada do Aedes ajuda vírus a se multiplicar, diz estudo
As picadas de mosquitos não provocam apenas coceira, inchaço e irritação: elas também ajudam os vÃrus da zika e da dengue a se multiplicarem, de acordo com um novo estudo liderado por cientistas britânicos.
Segundo os autores da pesquisa, a inflamação no local da picada pode ser um fator importante para explicar por que a dengue e a zika são assintomáticas em algumas pessoas e, em outras, tornam-se doenças graves, provocando hemorragias, má-formação e morte.
A pesquisa, liderada por Clive McKimmie, da Universidade de Leeds (Reino Unido), foi publicada nesta terça-feira, 21, na Immunity, revista cientÃfica do grupo Cell. Os pesquisadores agora querem descobrir se o uso de cremes anti-inflamatórios no local da picada do mosquito pode impedir a evolução da infecção.
Até agora, cientistas acreditavam que as diferenças observadas no grau de severidade de doenças como a dengue e a zika deveriam ser determinadas por variações genéticas nos vÃrus, ou nos pacientes. Mas, com inúmeros estudos sendo feitos em um esforço mundial para deter a epidemia de zika, vários resultados sugerem que o Aedes aegypti está diretamente envolvido na severidade das doenças.
Na última quinta-feira, 16, conforme noticiado pela reportagem, outra pesquisa feita por cientistas dos Estados Unidos e Bélgica mostrou que a saliva do Aedes aegypti torna os vasos sanguÃneos mais permeáveis, acelerando o alastramento do vÃrus.
Agora, os cientistas britânicos deram um novo passo ao mostrar que, com a introdução da saliva, a inflamação no local da picada também ajuda a replicação dos vÃrus, resultando em infecção mais severa.
"As picadas de mosquito não são apenas irritantes - elas são fundamentais para que os vÃrus se espalhem e causem a doença. Antes desse estudo, pouco se sabia sobre os eventos e processos que ocorrem no local das picadas", disse McKimmie.
"Agora queremos estudar se medicamentos como cremes anti-inflamatórios podem impedir que o vÃrus estabeleça a infecção se forem utilizados com rapidez suficiente depois que aparece a inflamação produzida pela picada", afirmou o cientista.
O estudo foi feito em camundongos. Segundo McKimmie, a saliva do mosquito, injetada na pele do animal no momento da picada, desencadeia uma resposta imunológica, atraindo certos glóbulos brancos (células de defesa do organismo) para o local da picada. Mas, em vez de ajudar a destruir os vÃrus, algumas dessas células de defesa são infectadas e acabam ajudando a replicá-los.
A equipe injetou diferentes vÃrus na pele de camundongos, com e sem a presença da picada de mosquito no local da injeção, para comparar as reações. Sem a picada do mosquito - e sem a inflamação que ela desencadeia -, os vÃrus não conseguiam se replicar muito bem. Já na presença da picada, foi observada uma alta taxa de replicação do vÃrus ainda na pele.
"Isso foi uma grande surpresa. Esses vÃrus não são conhecidos por infectar células do sistema imune. Além disso, quando nós fizemos com que essas células imunes parassem de se dirigir para o local da picada, a picada do mosquito parava de aumentar a infecção", afirmou McKimmie.
Fonte: Estadão Conteúdo