24/09/2019 12h10
Investigação dos casos com crianças mortas no Rio continua sem solução
A PolÃcia Civil do Rio não concluiu as investigações nem prendeu os responsáveis de nenhum dos cinco casos de crianças supostamente mortas durante ações policiais no Estado neste ano. O assassinato mais recente, da menina Ãgatha Félix, de 8 anos, voltou a pressionar as instituições policiais e a gestão Wilson Witzel (PSC).
Procurada para elucidar o andamento das apurações, a PolÃcia Civil só deu informações especÃficas sobre as investigações relativas a Jenifer Cilene Gomes, de 11 anos, morta em fevereiro em Triagem, na zona norte do Rio. Segundo a PM, a apuração, diferentemente do que disse a famÃlia da jovem, aponta que a bala teria partido de uma troca de tiros entre facções. O caso, porém, ainda está em investigação na Delegacia de HomicÃdios da Capital (DHC).
Além dela e de Ãgatha, três crianças foram mortas por balas perdidas no Rio neste ano. O caso de Kauan Peixoto, de 12 anos, está na Delegacia de HomicÃdios da Baixada Fluminense, que "continua investigando o crime"; o de Kauan Rozário, de 11, cabe à 34ª DP (Bangu); e o de Kauê Ribeiro dos Santos, de 12, teve registro feito na 27.ª DP (Vicente de Carvalho).
Os episódios têm em comum o fato de as famÃlias acusarem a PM de cometer os crimes. "Minha neta estava armada por acaso para poder levar um tiro?", disse AÃlton Félix, avô de Ãgatha. A corporação afirma que os policiais militares foram atacados e tiveram de revidar.
Nesta segunda-feira, 23, um protesto contra a polÃtica de segurança de Witzel reuniu centenas de pessoas na Assembleia Legislativa do Rio. Tia de Ãgatha, Daniele Félix participou do ato. "Estamos aqui para cobrar Justiça. Que este caso não seja mais um na estatÃstica de bala perdida dentro da comunidade", disse. "Ãgatha era uma menina linda de 8 anos que estudou a manhã inteira, foi passear com a mãe à tarde e estava a cinco minutos de casa."
Ministério Público
A Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão, braço do Ministério Público Federal, encaminhou nesta segunda ao Conselho Nacional do MP e à Procuradoria-Geral de Justiça do Rio um ofÃcio no qual defende a investigação da morte de Ãgatha pelo Ministério Público fluminense.
Segundo a Procuradoria, isso atenderia à determinação de que graves violações dos direitos humanos no contexto de intervenções policiais fiquem sob responsabilidade de autoridade judicial ou do MP. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Fonte: Estadão Conteúdo