20/12/2018 19h51
João de Deus cometeu estelionato sexual e costumava oferecer presentes às vitimas
O delegado Valdemir Pereira, um dos coordenadores da força-tarefa que investiga o médium João de Deus por abuso sexual, disse nesta quinta-feira, 20, que a PolÃcia Civil de Goiás tem "provas robustas" para que o lÃder religioso seja condenado por violência sexual mediante fraude. Segundo Pereira, o médium cometeu "estelionato sexual" e tinha o hábito de oferecer presentes à s vÃtimas para silenciá-las.
Nesta quinta-feira, a PolÃcia Civil de Goiás concluiu o primeiro inquérito contra o lÃder religioso e decidiu pedir seu indiciamento pelo crime de "violência sexual mediante fraude", artigo 215 do Código Penal, já que o agressor fazia o abuso parecer uma prática comum da consulta espiritual. A pena para esse crime varia de dois a seis anos de cadeia, em regime fechado.
"Foi um estelionato sexual, a vÃtima foi lá (Casa Dom Inácio de Loyola) para ser curada e ele (João de Deus), aproveitando dessa situação, enganou a vÃtima e abusou dela sexualmente. A PolÃcia Civil entende que há provas robustas contra o investigado", afirmou o delegado.
O inquérito concluÃdo pelos investigadores leva em conta o caso de uma única vÃtima, de aproximadamente 40 anos de idade, que sofreu o abuso sexual em outubro deste ano. Para encerrar a apuração, a PolÃcia Civil de Goiás levou, na quarta-feira, 19, a mulher ao local, a Casa Dom Inácio de Loyola, onde João de Deus fazia os atendimentos espirituais. Ela reconheceu a sala onde foi abusada e voltou a dar detalhes de como aconteceu o crime.
"Levamos a vÃtima ao local e ela descreveu onde foi abusada. A perÃcia esteve no local e a PolÃcia Civil entende que há provas para uma condenação", afirmou o policial.
Inicialmente, a investigação tinha 15 casos, mas apenas um deles aconteceu depois de junho de 2018, pois, até setembro, o Código Penal determinava prazo máximo de seis meses para a denúncia após o crime. Ainda assim, algumas das vÃtimas servirão como testemunha no processo. Como se trata da única vÃtima, o policial relatou que a mulher está "ansiosa" e com "medo".
O delegado contou ainda que João de Deus tinha a prática "comum" de oferecer presentes à s mulheres após tentar os abusos, com o objetivo de evitar que elas o denunciassem. "Isso (tentativa de silenciar a vÃtima) ficou muito claro. Essa é uma prática comum dele. Ele abusa sexualmente da vÃtima e depois dá presentes à s pessoas abusadas", explicou.
O caso. A reportagem apurou que, neste caso especÃfico, a mulher visitou a Casa Dom Inácio de Loyola várias vezes e sempre acompanhada de um namorado. Em uma dessas ocasiões, ela ficou sozinha com o médium em uma sala para a consulta espiritual. Com as luzes apagadas, João de Deus teria começado a tocar próximo à região Ãntima da denunciante que, neste momento, percebeu que ele estaria com o órgão sexual exposto.
Aos policiais, a vÃtima contou que, quando percebeu a tentativa do médium, tentou resistiu e interrompeu qualquer contato fÃsico. Nesse momento, João de Deus teria oferecido uma pedra de valor e dois quadros religiosos para a vÃtima. A reportagem apurou que, em seu depoimento à PolÃcia Civil, João de Deus disse não se lembrar de ter dado esta pedra, mas admitiu a oferta de "quadros". O médium está preso no Complexo Penitenciário de Aparecida de Goiânia (GO) desde o último domingo, 16.
Fonte: Estadão Conteúdo