30/06/2017 20h00
Justiça manda Roger Abdelmassih de volta à prisão
O Tribunal de Justiça de São Paulo suspendeu o benefÃcio de prisão domiciliar concedido ao ex-médico Roger Abdelmassih, de 73 anos. A Justiça acatou um mandado de segurança do Ministério Público Estadual em Taubaté para que Abdelmassih volte a cumprir pena no presÃdio de Tremembé.
A decisão é do desembargador José Raul Gavião de Almeida, da 6ª Câmara de Direito Criminal. Em sua decisão, o desembargador afirmou que "há notÃcia de que médicos internados no presÃdio relataram que Roger Abdelmassih deixou propositalmente de medicar-se, a tornar duvidosa a criação de situação ensejadora de seu afastamento do cárcere".
O ex-médico havia obtido a progressão de regime para o domiciliar por causa de uma doença cardÃaca grave. "Há nos autos perÃcia médica", diz o desembargador, "cuja conclusão é a de que o sentenciado é portador de doença coronariana grave com recomendação de tratamento clÃnico (não havendo indicação da impossibilidade desse tratamento ser realizado no sistema prisional, que conta com hospital, inclusive)".
Condenado a 181 anos de prisão por estuprar pacientes, Abdelmassih havia recebido o benefÃcio no dia 21 deste mês. À época, a juÃza Sueli Zeraik de Oliveira Armani, da Justiça de Taubaté, no interior de São Paulo, liberou o preso para cumprir pena em casa por entender que está acometido de enfermidades severas, passÃveis de agravamento no regime carcerário.
A reportagem procurou o advogado do ex-médico, mas não obteve retorno.
Estupros
Especialista em reprodução humana, Roger Abdelmassih chegou a ser condenado em 2010 a 278 anos de reclusão por 48 crimes de estupro contra 37 pacientes, entre 1995 e 2008. Uma decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes, porém, permitiu que recorresse da sentença em liberdade. Apesar da revisão posterior da sentença para 181 anos de prisão, por lei ele só ficaria preso por até 30 anos.
Inicialmente, foram registrados 26 casos de pacientes que acusavam Abdelmassih de estupro. Os relatos das vÃtimas diziam que os abusos aconteciam durante as consultas na clÃnica de fertilização do ex-médico.
Em 2011, com a decretação de sua prisão, ele foi considerado foragido. Três anos depois, acabou preso pela PolÃcia Federal em Assunção, no Paraguai.
Fonte: Estadão Conteúdo