19/04/2017 19h36
Justiça manda soltar PMs acusados de matar homens caídos no chão
A Justiça do Rio mandou soltar nesta quarta-feira, 19, o cabo Fábio de Barros Dias e o sargento David Gomes Centeno. Eles estavam presos pela morte de dois suspeitos em Acari, na zona norte do Rio, em 30 de março. A decisão do juiz Alexandre Abrahão Dias Teixeira, da 3ª Vara Criminal do Rio, veio no mesmo despacho em que o magistrado transformou os dois policiais em réus por homicÃdio doloso (intencional). Assim, os PMs aguardarão o julgamento em liberdade.
O juiz acatou pedido do Ministério Público (MP) que, na segunda-feira, 17, denunciou os policiais por homicÃdio doloso. Eles foram filmados perto da Escola Jornalista e Escritor Daniel Piza atirando em dois suspeitos que já estavam no chão, baleados e feridos. Na denúncia, contudo, o MP considera que os policiais trabalham em "situação de guerra".
Um dos policiais, o cabo Dias, foi identificado como autor de pelo menos um dos disparos que atingiram a estudante Maria Eduarda Alves, de 13 anos. Durante uma aula de educação fÃsica, a menina foi atingida por vários tiros e morreu. Uma perÃcia constatou que um dos projéteis no corpo da vÃtima saiu de uma arma que estava com o policial. O caso ainda está sob investigação.
Os PMs alegaram que dispararam por se sentirem ameaçados pelos dois homens que estavam no chão. Ao lado dos corpos, segundo a PolÃcia, foram achadas armas. Não é possÃvel, porém, ver nas imagens nada que sugira uma reação dos suspeitos baleados.
Decisão
O magistrado, contudo, impôs restrições aos dois policiais. "Entendo necessária a presença mensal dos acusados em JuÃzo para controlar suas atividades e condutas durante a fase instrutória. Há, também, imperiosa necessidade, neste perÃodo, dos acusados manterem-se afastados de locais públicos, festas, bares e outras atividades sociais aonde venha ocorrer aglomeração de pessoas", determinou Teixeira.
Dias e Centeno também não poderão manter contato com testemunhas e parentes das vÃtimas, tampouco se afastar da cidade do Rio. Eles voltarão ao trabalho, mas não poderão realizar policiamento nas ruas, tampouco atuar na área do 41º BPM, onde estavam lotados. Além disso, devem estar em casa antes das 22h.
Fonte: Estadão Conteúdo