15/02/2021 18h13
Juízes federais dizem que feminicídio perpetua banalização da vida
A Associação dos JuÃzes Federais do Brasil (Ajufe) e a Associação dos JuÃzes Federais do Rio de Janeiro e EspÃrito Santo (Ajuferjes) assinaram nota conjunta contra o assassinato da juÃza Viviane Vieira do Amaral Arronenzi, do Tribunal de Justiça do Rio, que foi morta pelo ex-marido na frente das três filhas na véspera do Natal. O engenheiro Paulo José Arronenzi, de 52 anos, foi preso em flagrante e o crime foi gravado por uma testemunha.
As duas entidades afirmam que o caso demonstra que a violência contra a mulher tem caráter endêmico no Brasil, atingindo principalmente mulheres negras e pobres, mas também todas as mulheres unicamente pela questão do gênero.
Na sexta, 25, o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Luiz Fux, divulgou comunicado afirmando ser urgente o debate sobre violência doméstica no PaÃs e que a Corte e o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) se comprometem com o desenvolvimento de ações que identifiquem a melhor forma de prevenir e de erradicar este tipo de crime. Manifestação semelhante foi divulgada pela Associação dos Magistrados Brasileiros, que classificou o femicÃdio como uma chaga.
"O PaÃs mantém a quinta maior taxa de feminicÃdio do mundo, 90% deles cometido por companheiros ou ex-companheiros. Cada uma dessas ocorrências traz consigo uma tragédia pessoal e familiar não captada pelas estatÃsticas, além de perpetuar a banalização da vida e da liberdade das mulheres", afirmam os juÃzes federais.
Viviane Vieira do Amaral Arronenzi, de 45 anos, foi morta a facadas pelo ex-marido na frente das três filhas. O crime ocorreu por volta das 18h30, quando a juÃza levava as três filhas (duas gêmeas de 7 anos e uma de 9 anos) para passar o Natal com o pai. Ela se encontrou com Paulo Arronenzi na rua Raquel de Queiroz. No vÃdeo que chegou a circular nas redes sociais e está sendo usado como prova pela polÃcia, o ex-marido ataca a juÃza na frente das filhas, a despeito dos pedidos das meninas para que parasse.
Testemunhas ainda pediram socorro aos guardas municipais do 2º SubGrupamento de Operações de Praia, que estavam na base ao lado do Bosque da Barra, próximo ao local do crime. Os agentes encontraram a juÃza desacordada, caÃda ao chão. Apontado por testemunhas como autor do crime, Arronenzi foi preso pelos guardas municipais sem mostrar resistência.
Há três meses, Viviane denunciou Arronenzi por lesão corporal e ameaças. O próprio Tribunal de Justiça do Rio providenciou uma escolta para a magistrada, mas ela abriu mão da proteção. Em 2007, uma ex-namorada de Arronenzi já havia denunciado o engenheiro por agressão.
Nota pública da Ajufe
A Associação dos JuÃzes Federais do Brasil (Ajufe) e a Associação dos JuÃzes Federais do Rio de Janeiro e do EspÃrito Santo (Ajuferjes) manifestam seu pesar pelo feminicÃdio da juÃza Viviane Vieira do Amaral Arronenzi e prestam solidariedade à sua famÃlia, especialmente a suas filhas, amigas e amigos.
A violência contra a mulher tem caráter endêmico no Brasil e, embora atinja mais intensamente mulheres negras e pobres, afeta a todas as mulheres, independentemente de raça e classe social, unicamente pela questão do gênero.
O PaÃs mantém a quinta maior taxa de feminicÃdio do mundo, 90% deles cometido por companheiros ou ex-companheiros. Cada uma dessas ocorrências traz consigo uma tragédia pessoal e familiar não captada pelas estatÃsticas, além de perpetuar a banalização da vida e da liberdade das mulheres.
Nesse cenário, reafirmamos a importância da legislação protetiva de mulheres, especialmente da Lei Maria da Penha, e de outras estratégias de prevenção e repressão à violência contra mulheres em suas diversas formas.
Fonte: Estadão Conteúdo