26/11/2018 07h52
Litoral de SP terá primeiro verão com a circulação do vírus da febre amarela
A chegada do perÃodo mais quente do ano, quando ocorrem as férias escolares e as festas de final de ano, coincide com a época de maior risco de contrair a febre amarela. Com cobertura vacinal abaixo da meta de 95%, o Estado de São Paulo está intensificando a campanha para evitar uma nova explosão de casos e mortes especialmente entre as pessoas que vão para o litoral - pela primeira vez desde o aparecimento dos casos, a região terá o vÃrus circulando durante o verão.
"SabÃamos que ia chegar ao Litoral Norte. No verão passado, a gente já tinha a certeza de que o vÃrus iria chegar à Mata Atlântica e incluÃmos, nos 54 municÃpios (que passaram a ter recomendação para a vacina), todo o Litoral Norte e a Baixada Santista. A entrada se antecipou com a chegada do vÃrus pelo Rio de Janeiro e começou entre março e abril deste ano", relata Regiane de Paula, diretora do Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE), órgão ligado à Secretaria de Estado da Saúde.
A preocupação da pasta e dos municÃpios é com a grande quantidade de pessoas que deve visitar áreas de risco e que precisa estar imunizada ao menos dez dias antes de chegar à s regiões. "São locais que têm Mata Atlântica densa, ecoturismo forte e que as pessoas procuram no perÃodo de férias. O risco da febre amarela não está dentro de casa, como acontece com o Aedes aegypti, está na área de mata para quem não foi vacinado."
No Estado, a cobertura vacinal é de 65%, mesmo com a campanha em andamento, que vacinou 8 milhões de pessoas neste ano e 7,4 milhões no ano passado. A campanha continua em todos os municÃpios.
A doença é transmitida por mosquitos silvestres e, neste ano, 502 pessoas contraÃram o vÃrus no Estado (casos autóctones), das quais 175 morreram. No Litoral Norte, já foram contabilizados 14 casos com cinco mortes nos municÃpios de São Sebastião e Ubatuba. Já na Baixada Santista, foram quatro casos com três óbitos em Itanhaém, PeruÃbe e no Guarujá. Em alguns desses municÃpios, a meta de vacinação já foi superada, caso de Caraguatatuba (99%) e Ubatuba (97%).
O arquiteto de inteligência de negócios Carlos Handerson Araújo Marques, de 31 anos, está com duas viagens marcadas para o final do ano e quer tomar a vacina ainda nesta semana. "Vou passar o Ano-novo em Ubatuba e estou preocupado."
O risco de infecção ao visitar uma área de risco sem estar imunizado é real. No caso da capital, onde apenas 58,5% da população está vacinada, a maioria dos casos contabilizados neste ano foi contraÃda em outras localidades. "Em 2017, só tivemos casos importados. Foram pessoas que foram para áreas de risco e se contaminaram. Em 2018, no total, são 120 casos de febre amarela e 107 foram importados. A maioria foi de pessoas que foram para Mairiporã e Atibaia", afirma a coordenadora de imunização da Secretaria Municipal de Saúde Maria LÃgia Nerger. Entre as pessoas que tiveram a doença neste ano, 28 morreram. No ano passado, foram 14 mortes. "A febre amarela é de circulação nos meses quentes e chuvosos, como é o verão, e a gente precisa vacinar a população antes da circulação do vÃrus. Existe uma preocupação maior com as pessoas que vão viajar para áreas de risco." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Fonte: Estadão Conteúdo