03/05/2016 10h57
Lote de teste da 'pílula do câncer' fica pronto
O laboratório autorizado a produzir a fosfoetanolamina sintética para análises clÃnicas, em Cravinhos, no interior paulista, finalizou a produção do primeiro lote. São 35 quilos da chamada "pÃlula do câncer" que serão enviados nesta semana para a Fundação para o Remédio Popular (Furp) para serem transformados em 70 mil cápsulas.
A substância em seguida será testada em pacientes de hospitais em um trabalho coordenado pelo Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp). Mais cinco remessas da fórmula serão encaminhadas nos próximos meses.
A reportagem entrou em contato com o laboratório, que não divulgou mais detalhes sobre a produção. A informação é de que um informe público será posteriormente agendado.
A fosfoetanolamina ficou conhecida como "pÃlula do câncer" por supostamente combater a doença. Para dirimir as dúvidas sobre a substância, durante seis meses será realizado um estudo clÃnico de eficácia.
O trabalho será necessário porque, apesar de liberada por uma lei federal já sancionada pela presidente Dilma Rousseff no mês passado, a fosfoetanolamina não passou por testes cientÃficos com humanos para ser considerada um medicamento. Entidades médicas também cobram no Supremo Tribunal Federal (STF) que a liberação seja considerada inconstitucional.
Pela lei, quem tem tumor maligno ganhou direito ao uso da substância. Basta comprovar o diagnóstico, por laudo médico, e assinar um termo de responsabilidade. No entanto, a Furp já antecipou que não produzirá cápsulas para comercialização.
Testes
Em um primeiro momento, o estudo definirá a dose a ser ministrada em dez pacientes. Também serão analisados efeitos colaterais graves. Não havendo problemas, 21 voluntários passarão a tomar a substância. Entre outros, estarão envolvidos doentes com tumores no pulmão, próstata, fÃgado e estômago. A intenção é ir ampliando o número de pacientes até chegar a 1 mil.
O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação prevê gastar em torno de R$ 5 milhões com o estudo clÃnico. A fosfoetanolamina sintética foi desenvolvida inicialmente na cidade de São Carlos (SP), no Instituto de QuÃmica da Universidade de São Paulo (USP), pela equipe coordenada pelo professor aposentado Gilberto Chierice. Durante anos, a substância foi distribuÃda gratuitamente para pessoas interessadas.
Há dois anos, porém, uma determinação interna da USP barrou a distribuição, o que levou os interessados à Justiça. Muitos doentes garantem ter detectado efeitos positivos ao usar a fosfoetanolamina. Análises iniciais de laboratório não comprovaram a sua eficácia.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Fonte: Estadão Conteúdo