23/07/2018 19h21
Lua de Júpiter poderia ter sinais de vida a apenas 1 centímetro da superfície
VestÃgios de vida alienÃgena podem estar escondidos sob a superfÃcie de Europa - uma das luas de Júpiter - a apenas um centÃmetro de profundidade. A conclusão é de um novo estudo conduzido por cientistas da Nasa e publicado nesta segunda-feira, 23, na revista cientÃfica Nature Astronomy.
Há muitos anos os cientistas acreditam que Europa, por conta do vasto oceano de água lÃquida sob sua crosta congelada, é o local mais promissor para a descoberta de vida extraterrestre no Sistema Solar. Mas, na prática, a busca por esses vestÃgios de vida parecia inviável, porque Europa recebe constantemente um violento bombardeio de radiação que destruiria todas as amostras orgânicas que não estivessem nas profundezas. Para encontrar esses sinais de vida, seria preciso enviar uma nave capaz de realizar escavações profundas na impenetrável superfÃcie congelada de Europa.
No novo estudo, porém, os cientistas fizeram um mapeamento completo da radiação que bombardeia Europa e concluÃram que, nas altas latitudes da lua, ela penetra no máximo um centÃmetro. Segundo os autores do estudo, a descoberta é fundamental para determinar o local onde valeria à pena, no futuro, enviar um veÃculo de pouso para buscar amostras orgânicas preservadas na lua joviana.
"Esses resultados indicam que futuras missões à superfÃcie de Europa não precisarão escavar materiais em grandes profundidades para investigar a composição do material do subsolo para buscar por potenciais assinaturas biológicas", disse o autor principal do estudo, Tom Nordheim, do Laboratório de Propulsão de Foguetes da Nasa.
Segundo Nordheim, para compreender como as moléculas que podem ser encontradas na superfÃcie de Europa se relacionam com seus oceanos subterrâneos, é fundamental mapear os efeitos da radiação que bombardeia a lua.
"Quando examinamos materiais que vieram do subsolo de Europa, o que estamos vendo? Precisávamos saber se essas análises nos dizem o que está no interior do oceano, ou se ela está nos revelando materiais que foram modificados pela radiação", afirmou.
O modelo desenvolvido pelos cientistas da Nasa foi capaz de simular os efeitos das partÃculas energéticas que caem sobre Europa e comparar essas estimativas com os dados de laboratório que indicam a rapidez com que essa radiação destrói os aminoácidos - os blocos fundamentais da vida.
De acordo com o artigo, os aminoácidos poderiam persistir por mais de 10 milhões de anos sob uma profundidade de um a três centÃmetros, nas latitudes mais altas de Europa, e em profundidades de 10 a 20 centÃmetro nas latitudes mais baixas, onde a radiação é mais forte.
Segundo Nordheim, graças à descoberta, os engenheiros responsáveis por uma futura missão da Nasa a Europa saberão exatamente onde pousar para aumentar as chances de encontrar traços de vida alienÃgena.
Em comentário sobre o artigo publicado na mesma edição da Nature Astronomy, John Cooper, cientista do Centro Goddard de Voo Espacial, da Nasa, explica que as futuras missões poderão encontrar vestÃgios de vida em Europa, mas dificilmente localizarão organismos vivos. Segundo ele, embora a radiação não penetre profundamente na superfÃcie, nenhum tipo de vida seria capaz de sobreviver aos seus nÃveis atuais.
"O melhor que podemos esperar seria a descoberta de fragmentos bioquÃmicos de vida que existiram no passado, misturados com o gelo da superfÃcie. Pelo menos nos poucos centÃmetros que seriam acessÃveis para o módulo de pouso em Europa", escreveu Cooper.
Ainda assim, segundo ele, os resultados do estudo são animadores, porque foram identificados fluxos mais baixos de radiação de elétrons e prótons nas latitudes médias e altas de Europa. "É nessas regiões menos irradiadas que nós podemos ter a maior esperança de encontrar assinaturas reconhecÃveis da existência de vida ancestral", disse Cooper.
A Nasa tem planos para enviar missões a Europa. Uma delas, a missão Clipper, programada para lançamento em 2022, entrará na órbita de Júpiter e fará 45 sobrevoos próximos de Europa, com altitudes variando de 2,7 mil quilômetros a 25 quilômetros.
A espaçonave Clipper levará câmeras, espectrômetros e instrumentos de radar e plasma, para investigar a superfÃcie da lua, seu oceano e o material que é ejetado para a superfÃcie. Um dos objetivos da missão será examinar as possÃveis rotas orbitais e explorar as melhores regiões para uma futura missão de pouso.
Fonte: Estadão Conteúdo