14/10/2015 21h21
Mamífero pré-histórico é achado na Espanha
Cientistas encontraram na Espanha um fóssil surpreendentemente bem preservado de um mamÃfero de 125 milhões de anos. Até agora, não havia registro de fósseis de mamÃferos com órgãos internos, pelos e pele conservados com mais de 60 milhões de anos.
O novo espécime, batizado de Spinolestes xenarthrosus, tinha uma pelagem espinhosa e, embora não tenha ligação com nenhum dos grupos de mamÃferos modernos, tinha caracterÃsticas que lembram os dos ratos e os porcos-espinho.
Segundo o estudo, publicado nesta quarta, 14, na revista Nature, o Spinolestes possuÃa espinhos microscópicos nas costas e, com a excepcional preservação do fóssil, foi possÃvel concluir que o animal tinha uma infecção por fungos em seus pelos.
O estudo foi feito por cientistas da Universidade Autônoma de Madri, na Espanha, da Universidade de Bonn, na Alemanha e da Universidade de Chicago, nos Estados Unidos.
"O Spinolestes é um achado espetacular. É assombroso ver, em um fóssil tão antigo, a pele quase perfeitamente preservada e as estruturas de pelos fossilizados em detalhes microscópicos. Esse animal do perÃodo Cretáceo apresenta toda a diversidade estrutural dos pelos e pele encontrada nos mamÃferos modernos", disse um dos autores do artigo, Zhe-Xi Luo, da Universidade de Chicago.
O fóssil foi encontrado no sÃtio de Las Hoyas, na região de Cuenca, no centro-leste da Espanha. No perÃodo Cretáceo, há cerca de 125 milhões de anos, o local foi uma área alagada com uma enorme diversidade de vida. Desde 1985 paleontólogos espanhóis estudam o sÃtio, onde já foram encontradas centenas de fósseis, incluindo importantes aves e dinossauros. Em 2011, o primeiro fóssil de mamÃfero foi descoberto no local.
O Spinolestes pertencia à linhagem extinta de mamÃferos primitivos conhecidos como tricodontes. O espécime tinha aproximadamente 24 centÃmetros de comprimento e os pesquisadores estimam que ele pesava de 50 a 70 gramas - o tamanho de um filhote de rato moderno.
Os dentes e as caracterÃsticas do esqueleto, segundo os cientistas, indicam que o Spinolestes se alimentava de insetos no solo. Os tecidos de seu corpo, com estruturas microscópicas ainda visÃveis, foram preservados graças a um raro processo conhecido como fossilização fosfática. Com o uso de microscopia eletrônica, os pesquisadores puderam identificar individualmente os folÃculos e bulbos dos pelos, assim como a composição de cada pelo.
A pele do animal possuÃa folÃculos complexos, como os dos mamÃferos modernos, de onde emergiam múltiplos pelos a partir de cada poro. Nas costas, o animal possuÃa pequenos espinhos de um décimo de milÃmetro. Os cientistas encontraram alguns pelos truncados de forma anômala, indicando que o animal tinha na pele uma infecção por fungos conhecida como dermatofitose, que é amplamente encontrada nos mamÃferos atuais.
"O fóssil mostra que essa linhagem ancestral, há muito tempo extinta, possuÃa essas estruturas exatamente iguais à s dos mamÃferos modernos. O Spinolestes nos dá uma revelação espetacular sobre esse aspecto central da biologia dos mamÃferos. Com ele, temos evidências conclusivas de que muitas das caracterÃsticas fundamentais dos mamÃferos já estavam bem estabelecidas há 125 milhões de anos, na era dos dinossauros", disse Luo.
De acordo com outro dos autores, Thomas Martin, da Universidade de Bonn, o Spinolestes não pode ser classificado em nenhum dos grupos de mamÃferos hoje existentes.
"Ele apresenta caracterÃsticas que também encontramos nos mamÃferos de hoje. No entanto, isso não é sinal de que exista parentesco. É mais um sinal de que eles evoluÃram de forma independente - no curso da evolução, os mamÃferos foram 'inventados' várias vezes", disse Martin.
Fonte: Estadão Conteúdo