11/02/2017 16h06
Manutenção da greve no ES preocupa o governo federal
A decisão das mulheres dos policiais militares do EspÃrito Santo de se manter na porta dos quartéis, impedindo o retorno da tropa à s ruas, descumprindo o acordo feito com o governo do EspÃrito Santo, trouxe grande preocupação ao Palácio do Planalto.
A expectativa era de que neste sábado, 11, quando os quatro ministros desembarcassem em Vitória para se reunir com o governo local, o quadro já fosse de inÃcio de volta à normalidade.
A manutenção do motim, acendeu uma luz amarela porque ficou a certeza de que o problema se prolongará por mais tempo, ampliando a preocupação com a contaminação disso para outros Estados. No Rio de Janeiro já existe uma parte do efetivo parado. As PMs do Pará, da ParaÃba e do Rio Grande do Norte também ameaçam greve.
Os representantes do governo federal foram ao EspÃrito Santo para garantir apoio do Planalto ao Estado, no que for preciso, inclusive com aumento de tropa.
Embora toda a condução do processo seja do governo do EspÃrito Santo, a ideia é que as negociações sejam mantidas para que se consiga a volta total ao trabalho. No entanto, a decisão de endurecimento legal com os grevistas, com enquadramento deles como amotinados, é considerada fundamental e tem o apoio do Planalto.
Esse enquadramento é considerado importante porque dá um sinal para os demais Estados de que o mesmo poderá acontecer em sua região se estas greves pipocarem. Mesmo o governo federal não podendo interferir diretamente, houve crÃticas internas no Planalto à postura do governador do Rio, Luiz Fernando Pezão (PMDB), que ante a primeira ameaça dos PMs, ofereceu um reajuste de 10% dos salários para eles - apesar do Estado estar em crise profunda que não lhe permite pagar sequer os salários em dia.
No caso do EspÃrito Santo, a avaliação de um dos interlocutores do presidente Michel Temer é de que a posição das mulheres acabou desmoralizando as lideranças das associações dos PMs, que haviam feito o acordo com o governo do Estado, que acabou não cumprido. Com isso, o que se tem, agora, é "um movimento anárquico, sem lideranças identificáveis, o que dificulta a negociação do governo do Estado".
Mas, com a presença das Forças Armadas nas ruas, a cidade, aos poucos, começa a viver uma certa normalidade, embora ainda haja muitos problemas com os transportes.
No Rio de Janeiro, as informações repassadas ao Planalto são de que "a situação é tensa, mas está sob controle". O entendimento é de que o comando da PMRJ está atuando bem e, até agora, não há pedido para emprego dos militares das Forças Armadas no Estado para ajudar a polÃcia local. O Exército, no entanto, já realizou um planejamento e está pronto para ser empregado, de imediato, se for solicitado.
No Rio, há quartéis sem funcionar mas a maioria tem o seu pessoal nas ruas. No entanto, há preocupação de que a adesão possa aumentar. O governo sabe também que o endurecimento com enquadramento em motim do pessoal do ES, com possÃvel decretação de prisão e até pagamento de multas, pode levar a dois distintos caminhos: a intimidação da categoria, que recuaria no avanço da greve não só lá, mas em outros Estados, ou a criação de um sentimento de união e reforço à greve.
Uma das grandes preocupações com o Rio de Janeiro, por exemplo, é com a percepção de que uma paralisação de policiais levaria a cidade ao caos e a repercussão internacional disso. O temor considera a proximidade do Carnaval, que é a maior festa do PaÃs com turistas do mundo inteiro e poderia ser afetada caso a paralisação se amplie e se prolongue. Isso poderia trazer grande prejuÃzo, também, à imagem do paÃs e do presidente Michel Temer.
Embarcaram para o EspÃrito Santo para dar apoio ao governo do Estado, por determinação do presidente Temer, os ministros da Defesa, Raul Jungmann, do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Sérgio Etchegoyen, da Secretaria de Governo, Antonio Imbassahy, e o interino da Justiça, José Levi Mello do Amaral Júnior.
Fonte: Estadão Conteúdo