03/01/2017 14h57
Massacre de Manaus é 'tragédia anunciada do punitivismo', dizem juízes
O banho de sangue no Complexo Penitenciário AnÃsio Jobim (Compaj) de Manaus ocorreu 'em razão de uma histórica polÃtica de Estado brasileira, consistente no tratamento dos problemas sociais de um dos paÃses mais desiguais do mundo como caso de polÃcia', na avaliação da Associação JuÃzes para a Democracia AJD).
AJD é uma entidade não governamental que defende 'o respeito absoluto e incondicional aos valores jurÃdicos próprios do Estado Democrático de Direito'.
O massacre de Manaus deixou 56 presos mortos.
"O massacre sucedido na capital do Amazonas somente ocorreu em razão de uma histórica polÃtica de Estado brasileira, consistente no tratamento dos problemas sociais de um dos paÃses mais desiguais do mundo como caso de polÃcia", sustenta a entidade dos magistrados. "É assim que se deve entender o crescente processo de encarceramento em massa, que inseriu o Brasil à posição de quarta maior população carcerária do mundo, formada basicamente pelos excluÃdos dos mercados de trabalho e de consumo, jogados, em abandono, para as redes de organizações criminosas que comandam estabelecimentos penitenciários que se assemelham a masmorras medievais."
A Associação JuÃzes para a Democracia (AJD), entidade não governamental e sem fins corporativos, que tem dentre suas finalidades o respeito absoluto e incondicional aos valores jurÃdicos próprios do Estado Democrático de Direito, diante das dezenas de mortes ocorridas no privatizado Complexo Penitenciário AnÃsio Jobim (Compaj) de Manaus, em 02 de janeiro de 2017, vem a público manifestar-se nos seguintes termos:
"A tragédia do Compaj corrobora, ainda, a importância do respeito à independência de juÃzas e juÃzes, como imperativo democrático", assinala a entidade dos magistrados.
"É o caso da fundamental atuação do Juiz da Vara de Execução Penal de Manaus, Luis Carlos Valois, que, coerentemente com o que defende em sua carreira acadêmica e conforme se espera de um magistrado no Estado de Direito, exerce controle rigoroso sobre o poder punitivo oficial, priorizando as liberdades públicas sobre o encarceramento: por tal motivo, desagrada os donos do poder, acomodados com o tratamento prevalentemente repressivo dos problemas sociais do paÃs."
Segundo a Associação JuÃzes para a Democracia 'o massacre sucedido na capital do Amazonas somente ocorreu em razão de uma histórica polÃtica de Estado brasileira, consistente no tratamento dos problemas sociais de um dos paÃses mais desiguais do mundo como caso de polÃcia'.
"É assim que se deve entender o crescente processo de encarceramento em massa, que inseriu o Brasil à posição de quarta maior população carcerária do mundo, formada basicamente pelos excluÃdos dos mercados de trabalho e de consumo, jogados, em abandono, para as redes de organizações criminosas que comandam estabelecimentos penitenciários que se assemelham a masmorras medievais."
"A tragédia do Compaj corrobora a necessidade da sociedade e do Estado brasileiro refletirem sobre tal polÃtica punitivista. É necessário desvencilhar-se da crença no Direito Penal como solução de problemas estruturais, como a violência decorrente da pobreza e das desigualdades. É necessário também cessar a irracional 'guerra contra as drogas', que vem causando a morte de milhares de pessoas socialmente excluÃdas em todo o mundo, o que, a propósito, tem levado a seu paulatino abandono até mesmo nos paÃses que mais a incentivaram."
A entidade JuÃzes para a Democracia denuncia o 'o crescimento do punitivismo estatal e clama para que a sociedade e o Estado brasileiro atentem que velhos problemas sociais do paÃs não se resolvem com o encarceramento ou com a intimidação de juÃzas e juÃzes que exercem seu dever funcional de controlar o aparelho repressivo oficial'.
"Do contrário, a tragédia de Manaus continuará a não ser caso isolado."
Fonte: Estadão Conteúdo