22/11/2017 19h50
Membros do PCC acusados de decapitar presos são julgados no interior de SP
Sob forte esquema de segurança, o 1º Tribunal do Júri de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, começou a julgar nesta quarta-feira, 22, seis acusados de matar cinco presos durante motim na Penitenciária 2 de Serra Azul, em 9 de setembro de 2011. Três dos detentos foram decapitados. A promotoria criminal do Ministério Público (MP) denunciou os acusados por homicÃdios triplamente qualificados - motivo torpe, tortura e meio cruel e uso de recurso que impossibilitou a defesa das vÃtimas. A pena individual pode chegar a 150 anos de prisão.
O julgamento começou à s 9h45 e deve ser concluÃdo apenas nesta quinta-feira, 23. A pedido do juiz Luiz Augusto Freire Teotônio, que preside o júri, a PolÃcia Militar deslocou viaturas para reforçar a segurança do prédio.
Por serem presos de "altÃssima periculosidade", o julgamento foi transferido de Cravinhos, comarca responsável por Serra Azul, para o Fórum de Ribeirão Preto. Cravinhos tem 35 mil habitantes, e a medida teve como objetivo evitar que parentes e amigos próximos das vÃtimas ou de agentes penitenciários fossem sorteados para a lista de jurados. Seis homens e uma mulher vão dar o veredicto.
Na época do crime, os acusados - Anderson José Alves de Souza, Michel Jucá de Brito, Danilo de Arruda, Gilvan de Oliveira Pereira, Albério de Souza Santos, vulgo "Magaiver", e Douglas Ricardo de Oliveira - integravam o Primeiro Comando da Capital (PCC). As vÃtimas eram acusadas de crimes sexuais e, para a organização criminosa, quem mata estupradores recebe privilégios ou tem dÃvidas perdoadas pela facção.
Além deles, Marcos Paulo da Silva, o "Lúcifer" ou "Alemão", acusado de participar da chacina, será julgado em data não definida. "Lúcifer" é apontado como o mais perigoso do grupo e está detido em presÃdio federal. O julgamento dele foi desmembrado a pedido da defesa.
Conforme a denúncia, na tarde de 9 de setembro daquele ano, durante um motim deflagrado pela expulsão de um preso do PCC, os réus mataram Anderson Aparecido Rodrigues, Fernando Gonçalves de Oliveira, Roberval Bernardo de Lima, Élson Antonio dos Santos Junior e Leônidas da Silva. Os três últimos tiveram as cabeças decepadas e exibidas aos demais presos e agentes penitenciários, tomados como reféns durante o motim. As vÃtimas foram golpeadas com pontas de barras de ferro, estiletes e tesoura.
Fonte: Estadão Conteúdo