19/03/2018 13h30
Mineradora norueguesa admite ter contaminado Rio no Pará
O grupo norueguês Norsk Hydro reconheceu nesta segunda-feira, 19, que sua fábrica de alumÃnio Hydro Alunorte, sediada no Brasil, derramou água sem tratamento no Rio Pará. "Derramamos água de chuva e de superfÃcie não tratada no rio Pará. É totalmente inaceitável e rompe com o que a Hydro representa. Em nome da empresa, desculpo-me pessoalmente com as comunidades, as autoridades e a sociedade", disse o diretor geral da empresa, Svein Richard Brandtzaeg, em um comunicado à imprensa.
As autoridades brasileiras suspeitam que a empresa contaminou a água do municÃpio de Barcarena, onde se situa a fábrica, com resÃduos de bauxita que teriam transbordado do depósito da empresa depois de fortes chuvas nos dias 16 e 17 de fevereiro.
O governo brasileiro impôs ao grupo norueguês, em fevereiro, duas multas de R$ 20 milhões cada uma. A primeira, por "atividades potencialmente contaminantes sem licença válida" e a segunda por "operar um duto de drenagem sem licença".
Um juiz do Pará também obrigou a empresa a reduzir em 50% a produção de sua fábrica de alumÃnio, que é considerada a maior do mundo. De acordo com o Instituto Evandro Chagas, de Belém, ligado ao Ministério da Saúde, a "lama vermelha" registrada depois das chuvas pode representar riscos para pescadores e outras comunidades amazônicas próximas da fábrica, que usam, para beber e para tomar banho, essa água com nÃveis elevados de alumÃnio e metais tóxicos."
De acordo com a empresa, o derramamento não está relacionado com o episódio meteorológico de meados de fevereiro. "Toda a água de chuva e de superfÃcie da refinaria da Alunorte deveria ter sido levada para o sistema de tratamento de água", disse a companhia.
A Norsk Hydro encarregou de uma auditoria independente a consultoria SGW Services para esclarecer o caso e, na sexta-feira, 16, anunciou um investimento de 500 milhões de coroas, o equivalente a cerca de R$ 270 milhões.
O grupo Norsk Hydro é dono de 92,1% da Hydro Alunorte, que produz 5,8 milhões de toneladas anuais de alumina, ou óxido de alumÃnio. ExtraÃda da bauxita, a alumina é a principal matéria prima para a produção de alumÃnio.
As ações da Norsk Hydro na bolsa de Oslo caÃram 1,11% nesta segunda-feira, 19, acumulando uma perda de 15,8% do seu valor em um perÃodo e um mês.
A gestão dos rejeitos de mineração se tornou um tema sensÃvel no Brasil, que em 2015 viveu a pior tragédia ambiental de sua história, quando se rompeu a barragem que continha quase 40 milhões de metros cúbicos de rejeitos na região de Mariana, em Minas Gerais.
Na ocasião, um "tsunami" de lama matou 19 pessoas, arrasou várias localidades e percorreu mais de 600 quilômetros pelo Rio Doce até chegar ao oceano Atlântico, devastando a fauna e a vegetação em seu caminho.
Fonte: Estadão Conteúdo