19/10/2015 10h12
Ministério suspeita que febre zika tem ligação com casos de paralisia
Preocupado com os casos de Febre do VÃrus Zika, o Ministério da Saúde vai discutir com autoridades sanitárias dos Estados e médicos especialistas uma estratégia para enfrentar e tratar a doença no PaÃs. Embora não haja registros de complicações graves ou mortes, há fortes suspeitas da associação entre a infecção, conhecida como prima da dengue, e a SÃndrome Guillain-Barré, que provoca paralisia progressiva, iniciando pelos membros inferiores e podendo chegar ao pulmão.
"Houve um aumento importante nos casos dessa sÃndrome em Estados do Nordeste", afirmou o diretor da Divisão de Doenças TransmissÃveis do Ministério da Saúde, Cláudio Maierovitch. O fenômeno coincidiu com a elevação dos casos de Zika. Equipes de vigilância tentam agora comprovar a correlação entre as duas doenças.
Os pacientes no Nordeste com a sÃndrome começaram a apresentar os sintomas cerca de duas semanas depois de manifestar um quadro semelhante ao da Zika: febre baixa, dores de cabeça, nos punhos e tornozelos, além de manchas pelo corpo. "No caso da sÃndrome, o tratamento é mais delicado: exige internação e pode durar perÃodos longos", contou o diretor. A sÃndrome ocorre geralmente em pacientes que apresentaram infecções. "Pode acontecer até com um vÃrus da gripe", disse.
Depois de infecções agudas, aparentemente o organismo deixa de reconhecer as próprias células e passa a atacá-las. Os primeiros sintomas da sÃndrome são fraqueza e dormência. Se a paralisia chega aos pulmões, é necessário usar respiradores. Essas reações, no entanto, são muito raras. "Foi isso que despertou a atenção. O problema, que era esporádico, começou a se tornar um pouco mais frequente", completou Maierovitch.
A correlação entre o ZikavÃrus e a sÃndrome de Guillain-Barré já foi identificada em outros paÃses que apresentam também a circulação simultânea do vÃrus da dengue. Na Micronésia, na Oceania, por exemplo, o número de casos da sÃndrome saltou de 5 para 20 durante um surto de Zika.
Na Bahia, foram pelo menos 76 casos suspeitos de Guillain-Barré e, em Pernambuco, 64. Além de protocolo para tratamento da doença, o Ministério quer alertar Estados para a necessidade de hospitais estarem atentos para um eventual aumento de demanda no atendimento.
Entre as preocupações estão a rápida identificação e o encaminhamento para o tratamento. Uma reunião com coordenadores de Estados e com especialistas deve ser realizada até o inÃcio de novembro.
Diagnóstico
Transmitida pelo Aedes aegypti, mosquito que é vetor também da dengue e da Febre Chikungunya, a Febre Zika teve os primeiros casos confirmados no Brasil em fevereiro deste ano. Não há um kit comercial para comprovar os casos da doença. Justamente por isso, o diagnóstico muitas vezes é feito com base nos sintomas clÃnicos. Somente parte dos pacientes apresenta manifestações da infecção: 72% são assintomáticos.
Maierovitch afirmou que atenção especial será dada também para Chikungunya. De janeiro a setembro deste ano foram identificados 12.170 casos da doença, nos Estados da Bahia, do Amapá, de Roraima e do Mato Grosso do Sul, além do Distrito Federal. "Embora os números tenham sido expressivos, estão longe da explosão epidêmica vivida, por exemplo, em paÃses da América Central nos anos de 2013 e 2014", ponderou.
Uma das justificativas para maior proteção seria o próprio comportamento do doente: como a doença é mais incapacitante, há maior probabilidade de que pacientes fiquem em casa, recolhidos, expondo-se menos a picadas de mosquito e, consequentemente, reduzindo os riscos de proliferação da doença", contou o diretor. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Fonte: Estadão Conteúdo