08/08/2019 12h20
'Miopia' da PF caça 11 por lavagem de R$ 6,5 bi do tráfico de drogas e cigarros
A PolÃcia Federal e a Receita deflagraram nesta quinta, 8, a Operação Miopia, para desarticular uma organização criminosa transnacional especializada em lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Segundo a PF, as contas bancárias das empresas controladas pela organização investigada movimentaram mais de R$ 6,5 bilhões de origem ilÃcita somente no perÃodo de 2010 a 2018.
Agentes federais cumpriram 26 ordens judiciais, sendo 11 mandados de prisão temporária e 15 de busca e apreensão em Foz do Iguaçu e São Paulo.
A PF informou em nota que as medidas judiciais foram expedidas pela 9.ª Vara Federal de Curitiba.
As investigações, resultado de quatro inquérito policiais, tiveram como foco quatro grupos que "agiam de forma autônoma e/ou interdependente e utilizavam contas bancárias de interpostas pessoas, fÃsica e jurÃdica fantasma, para receber vultosos valores de interessados em adquirir mercadorias, drogas e cigarros provenientes do exterior, especialmente do Paraguai".
O dinheiro "sujo" era creditado nas contas controladas por cada um dos grupos investigados, no Brasil, e posteriormente utilizado para pagar, em reais, aqueles que disponibilizaram moeda estrangeira no Paraguai (operações dólar-cabo) e/ou enviado para o exterior por intermédio de ordens de pagamento internacionais emitidas por instituições financeiras diversas.
"Essas ordens de pagamento eram realizadas com base em contratos de câmbio manifestamente fraudulentos, celebrados com empresas fantasmas que nem sequer possuÃam habilitação para operar no comércio exterior", destaca a investigação.
Miopia é um desdobramento da Operação Hammer On, deflagrada pela PolÃcia Federal e pela Receita em Foz, em 2017.
Segundo a PF, na Miopia, além da investigação abranger os operadores financeiros e seus clientes - traficantes, empresários, cigarreiros do Brasil e seus pares no Paraguai -, foram identificadas as instituições financeiras que deixaram de cumprir regras de compliance e possibilitaram que milhões de reais de origem espúria fossem remetidos para o exterior.
"Os responsáveis por essas instituições financeiras fechavam operações de câmbio sem se preocupar com a origem dos valores que lhes eram remetidos, condutas essas que revelam que tinham uma visão mÃope do real cenário em que operavam", assinala a força-tarefa.
Inicialmente, dois dos grupos investigados transferiam valores para empresas importadoras "fantasmas" e, em seguida, sob o pretexto de pagar importações fictÃcias, contava com o auxÃlio de determinadas instituições financeiras (corretoras de câmbio) para remeter esses recursos para o exterior, especificamente para as contas bancárias tituladas pelos fornecedores das empresas paraguaias.
Os responsáveis por estas instituições financeiras fechavam operações de câmbio, sem se preocupar com a origem ilÃcita dos valores. Nesse caso, a remessa para o exterior ocorre com a finalidade precÃpua de concluir o pagamento em benefÃcio das exportadoras chinesas e americanas para quem a casa de câmbio paraguaia incumbiu-se de enviar os dólares que lhe foram entregues, em espécie, por grandes empresas paraguaias, importadoras.
Os investigados responderão pelos crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro, evasão de divisas e operação irregular de instituição financeira.
Fonte: Estadão Conteúdo