07/08/2020 14h10
Mourão defende garimpo em área indígena após fim da operação nas terras Munduruku
O vice-presidente da República, Hamilton Mourão, afirmou nesta sexta-feira, 7, que a paralisação de uma operação contra garimpo ilegal nas terras da etnia Munduruku, no Estado do Pará, ocorreu após um protesto dos próprios indÃgenas, que, segundo ele, são os responsáveis pela extração de ouro na região. A operação foi retomada nesta sexta-feira, 7, segundo o Ministério da Defesa. Mourão aproveitou o episódio para defender a aprovação da proposta legislativa que libera a atuação de garimpeiros em áreas demarcadas.
"Os garimpeiros são os indÃgenas que moram lá. Inclusive, é muito bom para desmontar a teoria daquela turma que acha que o Ãndio tem que viver segregado na mata e não ter meio de subsistência. Ele (Ãndio) vai buscar o meio de subsistência dele", disse Mourão a jornalistas.
"A operação foi suspensa exatamente porque os indÃgenas fizeram um protesto lá e vieram aqui conversar com o ministro e a partir do momento que conversaram com o ministro (do Meio Ambiente, Ricardo Salles) ela foi liberada para prosseguir. Foi suspensa no dia de ontem, pronto", acrescentou.
Mourão usou o caso para defender a aprovação da proposta que libera o garimpo em terras indÃgenas no Congresso. "A Constituição diz, artigo 231, que a exploração mineral em terra indÃgena poderá ser realizada desde que o Congresso legisle a respeito. Estamos há 32 anos esperando que isso ocorra. Todos os governos mandaram projeto sobre isso (ao Congresso). Se não definir isso aÃ, você fica tapando o sol com a peneira, porque eles (indÃgenas) sabem que tem ouro lá", afirmou o vice.
Mais cedo, durante videoconferência promovida pela FSB Comunicação, Mourão afirmou que "os nossos Ãndios hoje vivem em terras ricas e como mendigos". "Não têm acesso à s conquistas materiais da humanidade, porque são preservados como animais em zoológicos. E a imensa maioria dos povos indÃgenas, dos diferentes grupos indÃgenas, querem ter acesso, querem trabalhar, querem produzir. O Ãndio não quer continuar a viver na oca, nu, caçando de arco e flecha, pescando na beira do rio quando ele sabe que ele pode, naquela terra que ele tem, trabalhar dentro dos ditames do nosso código florestal."
Para Mourão, o "indÃgena tem que ter o direito de explorar a riqueza que tem na terra dele dentro dos ditames da nossa legislação". "A partir daÃ, ele terá acesso à s benfeitorias, ao progresso material da humanidade. Ou seja, ele vai ter uma escola decente na sua terra indÃgena, para ensinar sua cultura, vamos colocar assim, vai ter apoio de saúde, vai ter comunicação, celular, acesso à televisão a cabo. Ou seja, todas as benesses do mundo moderno. E não vivendo como se estivesse ainda segregados", afirmou.
Por meio de nota, o Ministério da Defesa informou hoje que "as operações haviam sido temporariamente suspensas, por um dia, na quinta-feira (6), atendendo à solicitação dos indÃgenas, para permitir avaliação de resultados e a realização de encontro de representantes dos indÃgenas com o Ministério do Meio Ambiente, em BrasÃlia".
Ainda na quinta-feira, 6, afirmou o ministério, representantes dos indÃgenas mundurukus foram levados a BrasÃlia, em aeronave da Força Aérea Brasileira e foram recebidos na sede da pasta, onde apresentaram seus pleitos e preocupações.
Fonte: Estadão Conteúdo