23/11/2021 14h20
Mundo está entrando em quarta onda de covid-19, diz diretora da OMS
A diretora-geral adjunta de acesso a medicamentos e produtos farmacêuticos da Organização Mundial da Saúde (OMS), a médica brasileira Mariângela Simão, disse na segunda-feira, 22, que o mundo está entrando em uma quarta onda da pandemia de covid-19. A declaração foi dada na conferência de abertura de um evento realizado pela Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco).
"O mundo, na verdade, está entrando em uma quarta onda, mas as regiões tiveram comportamento diferente em relação à pandemia", apontou Mariângela. "Na região das Américas, há uma transmissão comunitária continuada, com pequenos picos, enquanto a Europa está entrando de novo em uma ressurgência de casos", explicou.
A médica não fez previsões especÃficas para o Brasil, que tem assistido nas últimas semanas a uma queda sustentada de internações e mortes, além de ver avanço significativo na vacinação. Comentou, porém, que a realização do Carnaval pode ser "extremamente propÃcia para o aumento da transmissão comunitária" no PaÃs.
O aumento no número de casos de covid-19 tem levado paÃses a ampliar o cerco contra não imunizados - a Ãustria, por exemplo, impôs um lockdown especÃfico contra esse grupo. A estratégia visa a evitar o surgimento de novas cepas, como a Delta, identificada originalmente na Ãndia e depois responsável por acelerar o contágio em diversas regiões do planeta.
"A OMS tem o entendimento neste momento que é provável que a gente tenha uma transmissão continuada do vÃrus por conta das variantes", disse a diretora. Segundo se observa nas curvas epidêmicas, a médica destacou que há paÃses com ondas repetidas, outros com transmissão contÃnua e há ainda aqueles que tiveram um controle não sustentado no inÃcio da pandemia e que agora têm picos agudos de contaminação.
Entre os fatores que continuam influenciando na transmissão do Sars-Cov-2, Mariângela destacou quatro pontos. O primeiro são as variantes mais transmissÃveis, como a Delta. Atualmente, conforme mapeamento genético realizado pelo Instituto Todos pela Saúde (ITpS), a Delta corresponde a mais de 97% das variantes em circulação no PaÃs.
O segundo aspecto é o fato de grande parte da população seguir sem acesso à s vacinas. Dados da OMS apontam que menos de 5% das pessoas de paÃses de baixa renda - grande parte na Ãfrica e na Ãsia - receberam ao menos uma dose de vacina anticovid, mesmo com mais de 7,5 bilhões de doses tendo sido aplicadas no mundo. "A inequidade no acesso à vacina é o maior desafio ético do nosso tempo", disse Mariângela.
Por fim, o terceiro e quarto fatores seriam o aumento das interações sociais, com o fim das medidas de isolamento, e ainda a desinformação em relação à s formas de lidar com o vÃrus. "A mensagem correta, no momento certo, em formato adequado, vinda da pessoa certa (...) pode auxiliar muito", apontou a médica.
Entre domingo e segunda, conforme apontou Mariângela, foram confirmados mais de 440 mil casos em todo mundo e um total de 6,7 mil óbitos. Com isso, o planeta chegou a 255 milhões de diagnósticos positivos da doença e já contabiliza 5,1 milhões de vÃtimas. "É claro que isso reflete uma enorme subnotificação em vários continentes", disse a diretora da OMS.
Futuro da pandemia
Sobre os possÃveis cenários para o futuro, Mariângela destacou o papel das vacinas e disse que, mesmo não tendo impacto significativo na transmissão, elas "diminuem a severidade da doença e a mortalidade". "A gente já tem dados robustos, como do Reino Unido, que mostram uma dissociação de casos e óbitos, por conta da vacinação", destacou.
A diretora da OMS apontou que, pelo que se observa pelas informações de hoje, havendo altos nÃveis de imunidade populacional em todos os paÃses, a mortalidade pela doença poderá reduzir significativamente. Os surtos de contaminação pela doença, acrescentou, até podem continuar acontecendo entre grupos suscetÃveis, como os não vacinados, mas para este caso é necessário intensificar o processo de conscientização.
Mariângela reforçou ainda que "a vacinação sozinha não consegue conter transmissão", o que torna também importante o monitoramento contÃnuo da situação epidemiológica e a adoção de medidas.
"Me preocupa bastante quando vejo no Brasil a discussão sobre o Carnaval, é uma condição extremamente propÃcia para o aumento da transmissão comunitária. Precisamos planejar as ações para 2022", disse a diretora da OMS.
Segundo Mariângela, um outro ponto é que há uma "associação forte" entre a cobertura vacinal e o uso de máscaras, o que também acaba sendo um fator de atenção até para paÃses cuja vacinação avançou. "Quanto maior é a cobertura vacinal, menor é o uso de máscaras", destacou.
Fonte: Estadão Conteúdo