03/03/2017 09h18
Na periferia, vizinhança faz a folia de momo
O fim de semana será de folia do MBoi Mirim até Sapopemba. E não haverá estreia no samba apenas no pós-carnaval. Distante 23 km do centro da cidade e da festa, moradores da Travessa Renato Rodrigues Moreira, na região de Ermelino Matarazzo, zona leste, entraram na terça-feira, 28, pela primeira vez no circuito oficial momesco.
Há dez anos, eles organizam a passagem do bloco Pé Vermelho pelas ruas do Jardim Verônia, mas só agora foram "promovidos" com o aumento da festa também nas periferias de São Paulo. Mais de 60 grupos vão desfilar neste ano em bairros mais afastados, incluindo Itaquera,
Pirituba, Jaçanã, Capela do Socorro e Cidade Tiradentes. "Até mudamos de nome. A partir deste ano somos a FamÃlia na Folia", disse o presidente e músico do bloco, Peterson Magalhães, de 30 anos, que organiza a festa com vizinhos e parentes. No repertório tem de tudo, menos funk. "Se não, vira pancadão, rolezinho, e aà não pode."
A 46 km dali, o FÃgado de Aço comemorou quatro anos de desfile pelas ruas de Piraporinha, na zona sul, também cercado por pessoas conhecidas. O bloco foi criado em 2013 por um grupo de amigos que, sem dinheiro para viajar, bebia em bares locais no carnaval. Segundo o presidente, Deivis Santos, de 44 anos, o nome surgiu a partir do hábito dos amigos: beber cachaça. "E para aguentar precisa ter fÃgado de aço", disse Devão.
Hoje o grupo tem até o patrocÃnio de bares e uma loja virtual. Abadás vendidos a R$ 40 a unidade davam direito a cinco latinhas de cerveja ao longo do trajeto. Pelo menos 500 pessoas compraram o uniforme oficial. "Este ano inovamos, copiando a Vila Madalena", em referência a um paredão de som puxado por carro popular. O equipamento aqueceu as primeiras horas da festa, com músicas do cantor de forró Wesley Safadão. Jovens, crianças e até idosos de bairros vizinhos participaram da festa, que teve inÃcio à s 15 horas e dispersão à s 22 horas.
Só a PM foi. Apesar de menos badalados, os blocos da periferia estão na lista oficial do carnaval de rua da cidade e, por isso, dispõem de suporte da Prefeitura para promover os desvios necessários no trânsito e oferecer a infraestrutura mÃnima aos foliões, como segurança e banheiros quÃmicos. O que falta é pontualidade. Marcado para ter a concentração à s 10h de anteontem, o FamÃlia na Folia só iniciou os trabalhos por volta das 14h. Já o Me Chama que Eu vou não apareceu no horário marcado, à s 13h, nas imediações da Rua Coronel Esdras de Oliveira, no Jaçanã, zona norte. Nem um grupo de cerca de 15 PMs, que faria a segurança do cortejo, encontrou o bloco. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Fonte: Estadão Conteúdo