13/05/2016 18h45
Na pior das hipóteses, pílula do câncer tem o efeito placebo, diz novo minsitro
Em sua primeira entrevista coletiva à frente do Ministério da Saúde, o engenheiro e deputado federal licenciado Ricardo Barros (PP-PR) falou de fé. Questionado sobre a lei no Congresso Nacional que liberou o uso da fosfoetanolamina, a chamada "pÃlula do câncer", mesmo sem estudos clÃnicos que comprovem a eficácia e segurança do produto, ele arriscou. "Pessoalmente, na pior das hipóteses tem o efeito placebo. A fé move montanhas", resumiu.
O composto, que durante anos foi formulado e distribuÃdo num laboratório de quÃmica do câmpus de São Carlos da Universidade de São Paulo, agora tem sua venda e produção liberada por uma lei, aprovada em março e sancionada pela presidente afastada Dilma Rousseff.
Como o jornal O Estado de S. Paulo informou, a sanção da presidente afastada foi feita a revelia de pareceres do governo, que recomendavam o veto à lei, para evitar maiores desgastes no Congresso, às vésperas da votação do impeachment.
O ministro afirmou que, agora, caberá à agência a incumbência de tratar o tema da melhor forma. "A Anvisa está tomando todas as providências para que não haja risco. Vamos tomar todas as providências para que não causem problemas", completou, sem especificar quais medidas seriam estas.
Aedes
Barros falou também do combate ao Aedes aegypti, mosquito transmissor de dengue, zika e chikungunya e defendeu a adoção de medidas de "força" para que a prevenção do vetor. Ele defendeu que municÃpios ampliem a aplicação de multas no caso da identificação de casas em que se constate a presença de criadouros do mosquito.
O novo ministro sugeriu que a população somente responde quando induzida sob duas formas, incentivos (como é o caso da polÃtica do Bolsa FamÃlia, que condiciona o pagamento do benefÃcio a atitudes como manter a carteira de vacinação em dia) ou punições, como o caso de multas.
Para ilustrar, citou ainda como exemplo as campanhas para o uso do cinto de segurança que, em sua avaliação, nunca surtiram o efeito necessário. O hábito somente foi criado entre brasileiros, emendou, depois que a multa foi criada.
Barros afirmou não ser possÃvel o Ministério da Saúde incentivar a criação de uma regra de aplicação nacional sobre o tema. "Não terÃamos fiscais para fazer vistorias", completou.
Gestão
O ministro, que se classificou como especialista em "polÃtica de gestão", afirmou ainda que vai melhorar o uso de recursos controlados por sua pasta, adotando uma polÃtica, por exemplo, para colocar em uso equipamentos adquiridos que estão encaixotados e ambulâncias que não estão em uso. Disse que vai pedir ao governo a liberação de recursos que atualmente estão contingenciados.
A pasta tinha a previsão de uso para este ano de R$ 90 bilhões para ações e serviços de saúde. Desse total, no entanto, R$9,9 bilhões foram contingenciados. Os recursos para programas como Mais Médicos, Samu e UPAs, por exemplo, são suficientes somente até agosto.
O ministro afirmou ser necessária a obtenção de novas fontes de recursos para a área, mas evitou fazer comentários sobre seu eventual apoio à recriação da CPMF. De acordo com ele, tal medida deve ser discutida pela equipe econômica e avisou que qualquer polÃtica adotada nesta área não teria efeito imediato. "Seria algo para os próximos anos."
Fonte: Estadão Conteúdo