25/04/2018 20h30
No ano, Estado de São Paulo reduz todos crimes, exceto estupro
A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo divulgou nesta quarta-feira, 25, estatÃsticas da criminalidade do primeiro trimestre de 2018 no Estado. Todos os registros apresentaram queda, exceto os casos de estupro, que chegaram à sexta alta mensal consecutiva e à 12ª alta nos últimos 15 meses. A pasta atribuiu as reduções nos casos de homicÃdios, latrocÃnios, roubos e furtos ao "eficiente" trabalho da polÃcia. Sobre o aumento nos estupros, disse estar havendo diminuição na subnotificação, levando a uma maior quantidade de registros nas delegacias.
Os dados foram apresentados na sede da SSP, no centro da capital paulista. O secretário Mágino Alves Barbosa Filho leu as estatÃsticas e exaltou o que chamou de "significativa diminuição" dos crimes. Na comparação do primeiro trimestre deste ano com o mesmo perÃodo do ano passado, a queda no Estado foi de 12,8% nos homicÃdios (caindo de 878 casos para 766), 36,5% nos latrocÃnios (passando de 104 para 66 casos), 17,1% nos roubos (de 81,7 mil para 67,7 mil) e 2,4% nos furtos (134,1 mil para 131 mil).
Os registros de estupro no perÃodo passaram de 2,6 mil em 2017 para 3,2 mil neste ano, o que equivale a 35 casos por dia no Estado. "É um crime de difÃcil combate porque, de 79% a 82% das vezes, ocorre entre pessoas que tem algum tipo de relacionamento, seja afetivo, familiar, ou vizinho. E o crime acontece entre quatro paredes, dificultando a sua prevenção", disse Mágino, que ressaltou a importância de a vÃtima realizar o registro formal à polÃcia. "A comunicação do crime permite que o crime seja mapeado e que medidas de proteção sejam tomadas em relação à s vÃtimas."
Mudanças
Na entrevista coletiva à imprensa, o secretário também comentou o estudo realizado pelo governo do Estado para transferir a PolÃcia Civil da Secretaria da Segurança para a Secretaria da Justiça e da Defesa da Cidadania. "A proposta, que realmente está em estudo, pode representar um avanço. Não haveria prejuÃzo, mas, sim, um ganho institucional. Hoje, as polÃcias estão extremamente integradas e isso não seria prejudicado", disse Mágino.
Questionado sobre o que significa "ganhos institucionais", o secretário disse que a medida possibilitaria uma "reestruturação" das carreiras policiais, porque há "cargos em demasia". "Haveria a possibilidade de a PolÃcia Civil ter uma estrutura mais moderna", disse. Ele não comentou quando foi questionado se tal reestruturação poderia ser realizada sem a necessidade de mudança de secretaria. Entidades criticam a possibilidade de mudança já que poderia haver prejuÃzo nas atividades integradas de policiamento.
Mágino negou que as polÃcias de São Paulo tenham sofrido interferência do governador Márcio França (PSB). "Jamais houve ingerência", disse. Recentemente, as polÃcias do Estado trocaram de comando. Na PolÃcia Civil, o delegado Youssef Abou Chahin, crÃtico ao projeto de transferência, deixou o cargo. Ainda não foi escolhido um substituto para o posto. No fim da semana passada, o governo decidiu também trocar o comandante da PolÃcia Militar. O coronel Nivaldo Restivo deu lugar ao coronel Marcelo Vieira Salles. "Não há prejuÃzo com as trocas. É uma pessoa da minha confiança que dará continuidade à filosofia de combate implacável à criminalidade."
Fonte: Estadão Conteúdo