23/07/2020 13h30
'Não voltaremos ao antigo normal', afirma diretor-geral da OMS
O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom, descartou a possibilidade do mundo voltar ao "antigo normal" - ou seja, à realidade anterior à covid-19. "A pandemia já mudou a maneira como vivemos. Ajustar-se ao 'novo normal' é encontrar maneiras de viver de modo seguro", disse, em coletiva de imprensa na tarde desta quinta-feira (23).
Tedros afirmou que a maior parte da população mundial ainda está suscetÃvel ao novo coronavÃrus e que, por isso, medidas de prevenção, como lavar as mãos e manter o distanciamento social, seguem necessárias. "Nós continuamos a ver transmissão intensa do vÃrus em alguns paÃses", afirmou, sem especificar a quais se referia.
Em seguida, no entanto, o diretor-geral disse que quase metade dos casos no globo, que já bateram os 15 milhões, vem de apenas três paÃses. Segundo dados da Universidade John Hopkins, são Estados Unidos, Brasil e Ãndia. O lÃder da OMS ainda alertou para a politização da pandemia - a "maior ameaça", em suas palavras. "A polÃtica deveria ficar em quarentena", ironizou.
O diretor executivo da OMS, Michael Ryan, por sua vez, disse que a entidade multilateral têm trabalhado junto a autoridades da China para entender plenamente a origem do novo coronavÃrus. Já a responsável pela resposta da OMS à pandemia, Maria Van Kerkhove, reforçou que a doença é nova e, por isso, orientações sobre ela podem ser alteradas a qualquer momento.
Desafios
Integrantes da OMS afirmaram em coletiva de imprensa que Brasil, Estados Unidos e Ãndia têm capacidade para vencer a pandemia, mas que algumas caracterÃsticas indissociáveis, como densidade populacional, representam desafios. "Os três são paÃses democráticos, mas grandes, populosos e complexos", declarou Michael Ryan. "Os governos locais precisam tomar decisões sobre quarentena baseadas em dados, e em dados locais", completou.
Ryan ainda afirmou que a OMS está trabalhando junto a autoridades federais e estaduais no Brasil para combater o novo coronavÃrus, e ressaltou a importância do PaÃs como um espelho para o mundo. "As pessoas olham para paÃses como EUA e Brasil em busca de respostas certas", disse a jornalistas.
Maria Van Kerkhove entende que EUA, Brasil e Ãndia têm "lideranças tremendas", "bons médicos" e "ferramentas para virar o jogo". Ela ainda disse que a entidade multilateral também não deseja a retomada de grandes bloqueios econômicos, mas que a medida pode ser inevitável em alguns casos.
Fonte: Estadão Conteúdo