15/02/2021 18h01
Nova variante do coronavírus se espalha rapidamente pela Europa, mostra estudo
Cientistas europeus descobriram uma nova variante do SARS-CoV-2, vÃrus causador da covid-19, que vem se espalhando rapidamente pela Europa desde junho e já é responsável pela maioria dos casos observados na segunda onda de infecções em alguns paÃses do continente.
Um estudo feito por pesquisadores das Universidades de Basel (SuÃça) e de Valência (Espanha) e divulgado na quarta-feira, 28, na plataforma MedRxiv, revela que a variante foi originalmente identificada em junho no paÃs ibérico, passando, no mês seguinte, a representar 40% de todos os casos na Espanha. Hoje, ela já é responsável por 80% dos registros em território espanhol. A disseminação teria se iniciado em um evento de agricultores no nordeste espanhol. Nos outros paÃses europeus, a nova variante, batizada de 20A.EU1, representava, em setembro, de 40% a 70% de todas as infecções registradas na SuÃça, Irlanda e Reino Unido. Ela também era prevalente na Noruega, Holanda, França e Letônia. A nova sequência do vÃrus já foi identificada em 12 nações europeias, além de Hong Kong e Nova Zelândia.
Os pesquisadores ressaltam que uma das mutações encontradas no material genético da nova variante do vÃrus que o diferencia das versões anteriores ocorre na proteÃna spike, usada pelo patógeno para invadir as células humanas. Apesar disso, ainda não se sabe se essa caracterÃstica torna a nova variante mais transmissÃvel do que as demais nem se a mutação pode estar associada à rapidez atual de disseminação da doença. "Não está claro se esta variante está se espalhando por causa de uma vantagem de transmissão do vÃrus ou se a alta incidência na Espanha seguida de disseminação por meio de turistas é suficiente para explicar o rápido aumento em vários paÃses", destacam os autores no artigo.
Os cientistas alertam que, embora não haja ainda detalhes sobre maior risco associado à variante, é preciso avaliar se medidas de controle e contenção do patógeno em fronteiras estão sendo suficientes para barrar uma nova disseminação da covid. Eles acreditam que a propagação do vÃrus está associada ao afrouxamento das medidas de distanciamento social e de controle de entrada de visitantes. "Apesar de não haver evidências que essa variante seja mais perigosa, sua disseminação pode fornecer informações sobre a eficácia de polÃticas de viagens adotadas pelos paÃses europeus durante o verão", afirma comunicado da Universidade de Basel sobre o estudo.
Repercussão. A microbiologista Natalia Pasternak, pesquisadora do Instituto de Ciências Biomédicas da USP e presidente do Instituto Questão de Ciência, afirma que a pesquisa demonstra a necessidade de acompanhamento de possÃveis mutações do novo coronavÃrus, mas destaca que ainda há mais lacunas do que respostas sobre a ação de diferentes variantes. "Para ter certeza de que tem maior transmissibilidade ou qualquer impacto clÃnico, seriam necessários estudos mais detalhados. Por enquanto, o que o trabalho mostra, e muito bem, é a necessidade de um sistema de monitoramento e sequenciamento para acompanharmos a evolução do vÃrus. Mas não tem como concluir ainda se as mutações observadas estão relacionadas com maior transmissão ou sintomas", diz.
Para o infectologista Celso Granato, professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e diretor médico do Grupo Fleury, os dados do estudo ainda não permitem concluir se a predominância de uma nova variante em alguns paÃses pode afetar em diagnóstico, tratamento ou até em vacinas que estão sendo desenvolvidas contra a doença.
"É um alerta importante, mas ainda não temos essas respostas. Pode ser que essa variante seja responsável pelo aumento rápido de casos visto agora, mas pode ser que seja mais uma questão epidemiológica", afirma ele, referindo-se à possibilidade de o vÃrus estar se propagando com mais velocidade por causa do fim das quarentenas na maioria dos paÃses durante o verão europeu.
Fonte: Estadão Conteúdo