01/02/2018 09h50
Novo medicamento contra febre amarela é testado em SP
O aumento de casos de febre amarela no Estado de São Paulo desencadeou uma série de ações para buscar meios de tratar a doença e produzir avanços na identificação de áreas que podem ser atingidas pelo vÃrus. Depois dos transplantes de fÃgado em pessoas que desenvolveram a forma grave da doença, realizados no Hospital das ClÃnicas e na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), pacientes de São Paulo e de Minas Gerais começaram neste mês a receber tratamento com um remédio para hepatite C, técnica que será estudada por pesquisadores dos dois Estados para ver se é possÃvel começar a tratar a doença utilizando medicamentos. A febre amarela não tem tratamento especÃfico.
"Percebeu-se que o vÃrus da febre amarela é do mesmo grupo do vÃrus da hepatite C, que se beneficiou muito com o tratamento. A primeira possibilidade foi avaliar se era possÃvel fazer a mesma coisa com o vÃrus da febre amarela", explica o secretário de Estado da Saúde David Uip.
Nesta fase inicial, a oferta está sendo feita por meio do uso compassivo. "É quando um laboratório consente usar o remédio para outra definição, o pesquisador acha que vai dar certo e quando o paciente e seus familiares permitem que isso seja feito. Está ocorrendo neste mês de janeiro em alguns hospitais do Estado de São Paulo e também de Minas Gerais. Percebeu-se que isso pode ser uma alternativa e isso está sendo transformado em um protocolo de pesquisa", diz o secretário.
Segundo ele, todas as fases do protocolo clÃnico voltado para o uso desses medicamentos para casos de febre amarela serão realizadas, como os testes e a análise pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep), mas que o objetivo é que haja agilidade na pesquisa. "Todas as etapas serão respeitadas." O estudo será realizado pela Universidade de São Paulo (USP), Instituto de Infectologia EmÃlio Ribas e um hospital de Minas.
Até o momento, já foram realizados seis transplantes de fÃgado em pacientes com a doença e um deles, de Campinas, morreu. "Isso é inusitado, é a primeira vez que se faz no mundo. O Hospital das ClÃnicas já fez cinco transplantes e a Unicamp fez um. Temos São José do Rio Preto apto a fazer transplantes e outros centros que também farão. Talvez estejamos diante de uma possibilidade de curar a hepatite fulminante (causada) pelo vÃrus da febre amarela."
Corredores
O mapeamento dos corredores ecológicos, levando em consideração as áreas de matas existente e em reflorestamento, foi considerada uma medida inédita. "Isso se mostrou correto, porque, quando chegou em Mairiporã, nós já estávamos prevendo chegar nessa região através da pesquisa com os corredores ecológicos. Foi uma descoberta inédita, é um trabalho muito importante que vai ser publicado na Science, uma das revistas mais prestigiadas do mundo, porque é uma descoberta nova em relação a como caminha a febre amarela fora da região endêmica normal dela", diz Marcos Boulos, coordenador de Controle de Doenças da pasta. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Fonte: Estadão Conteúdo