13/11/2021 09h10
Novo rascunho do texto final da COP propõe dobrar financiamento
Um novo rascunho do acordo final da Cúpula do Clima (COP-26), em Glasgow, mantém o apelo para que os paÃses estabeleçam promessas climáticas mais ambiciosas no próximo ano, mas usa linguagem mais branda do que o anterior. O documento, divulgado na sexta-feira, 12, tenta equilibrar demandas dos diferentes paÃses - a menção à eliminação do uso de combustÃveis fósseis foi suavizada. Outra mudança em relação à primeira versão é um apelo para que paÃses ricos dobrem o financiamento para adaptação climática até 2025.
A conferência ambiental acabou oficialmente ontem, mas a expectativa é de que as negociações se estendam por hoje. O rascunho ainda pode passar por revisões. Dois dos maiores objetivos desta COP são resolver a regulamentação do mercado de carbono e definir o fundo de financiamento dos paÃses ricos contra o aquecimento global - pontos não resolvidos desde o Acordo de Paris, assinado em 2015.
O documento diz que a atualização das promessas climáticas deve considerar "diferentes circunstâncias nacionais". Isso pode apaziguar parte dos paÃses em desenvolvimento, que dizem ser injusto esperar que o abandono dos combustÃveis fósseis e o corte nas emissões se dará ao mesmo tempo que os ricos.
Sobre os combustÃveis fósseis, a nova redação suaviza a anterior, divulgada dois dias antes, que afirmava que o mundo deveria se comprometer a eliminar gradualmente os subsÃdios a essas fontes de energia. Agora, o texto fala em atacar subsÃdios "ineficientes" para combustÃveis fósseis.
Apesar da mudança, o texto é visto como avanço em relação à s cúpulas anteriores: é a primeira vez que um documento da COP cita explicitamente os combustÃveis fósseis em um acordo final.
FINANCIAMENTO
O rascunho recomenda que paÃses ricos dobrem o financiamento para ajudar os pobres a se adaptarem à s mudanças climáticas. Em 2009, os paÃses desenvolvidos se comprometeram a dar, até 2020, US$ 100 bilhões anuais aos governos de áreas mais vulneráveis para ações contra o aquecimento global, o que não foi cumprido. Cálculos mais recentes apontam que o valor pago foi de cerca de US$ 80 bilhões. O novo rascunho não deixa claro se a duplicação do valor se daria sobre os US$ 100 bilhões ou os US$ 80 bilhões.
Ontem, o ministro do Meio Ambiente, Joaquim Leite, disse que "os US$ 100 bilhões não são apenas uma questão do dinheiro em si, mas fazer com que ele chegue ao chão". Questionado sobre a razão de o PaÃs cobrar mais verbas dos paÃses ricos enquanto o Fundo Amazônia - com doações de Noruega e Alemanha - permanece congelado, ele afirmou que "as negociações ainda não estão em andamento".
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Fonte: Estadão Conteúdo