21/03/2018 08h30
Oceanos recebem 25 milhões de toneladas de lixo ao ano, revela estudo
Um estudo que revisou a literatura mundial sobre poluição marinha estimou que pelo menos 25 milhões de toneladas de resÃduos são despejadas por ano nos oceanos. E a maior parte disso - 80% - tem origem nas cidades, em razão de uma má gestão dos resÃduos sólidos.
O caminho é conhecido: sem descarte adequado, resÃduos vão parar em lixões, muitos deles à beira de corpos d'água, que seguem pelo seu caminho natural até o mar. O trabalho, coordenado pela Associação Internacional de ResÃduos Sólidos (Iswa), levou em conta estimativas sobre quanto resÃduo não é coletado no mundo - algo entre 500 milhões e 900 milhões de toneladas - e cruzou esse dado com o mapeamento de pontos de descarte irregular em cidades perto do mar ou de corpos hÃdricos - daà uma estimativa mÃnima de pelo menos 25 milhões chegando ao mar.
O estudo, divulgado nesta terça-feira, 20, no Fórum Mundial da Ãgua, que é realizado em BrasÃlia até o fim da semana, avalia que cerca de metade desse lixo que vai parar no oceano é plástico. E que cada tonelada de resÃduo não coletada em áreas ribeirinhas representa o equivalente a mais de 1,5 mil garrafas plásticas que vão parar no mar.
O valor é um pouco mais alto do que estimativas mais recentes da Organização das Nações Unidas (ONU), que apontam algo em torno de 8 milhões de toneladas de lixo plástico entrando nos oceanos todo ano. Segundo a ONU, de 60% a 80% de todo o lixo no mar é plástico. E até 2050 pode haver mais plástico do que peixes no mar.
"O lixo no ambiente marinho já é um desafio global semelhante à s mudanças climáticas. E o problema, que vai muito além daquilo que é visÃvel, está presente em quase todas as áreas costeiras do mundo, trazendo desequilÃbrio tanto para a fauna e flora marinhas e comprometendo esse recurso vital para a humanidade", afirmou em comunicado à imprensa Antonis Mavropoulos, presidente da Iswa.
Brasil
A metodologia foi adaptada para o Brasil pela Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e ResÃduos Especiais (Abrelpe) - braço da Iswa - no Brasil, que concluiu que aqui pelo menos 2 milhões de toneladas de lixo podem chegar aos mares. "Se fosse todo espalhado, esse monte de resÃduos ocuparia a área de 7 mil campos de futebol", disse Carlos Silva Filho, diretor presidente da Abrelpe.
"E usamos premissas mais conservadoras. Ãreas alagadas, como Pantanal, Amazônia, muito longes do mar, ficaram de fora do cálculo. Se fossem incluÃdas, poderÃamos chegar a um valor de 5 milhões de toneladas de resÃduos."
Para o Brasil, Silva diz que não foi possÃvel estimar exatamente quanto desses resÃduos é plástico, mas lembra que 15% do resÃduo sólido gerado no Brasil tem essa origem.
Segundo outro estudo da Abrelpe, o Panorama dos ResÃduos Sólidos - cuja última edição disponÃvel é a de 2016 -, naquele ano cerca de 41% dos resÃduos gerados no PaÃs tem destinação inadequada.
Esse porcentual pouco melhorou nos últimos anos, apesar de a PolÃtica Nacional de ResÃduos Sólidos ter definido que não deveria mais existir lixões no Brasil desde 2014. Em 2010, quando a lei foi promulgada, tinham destinação inadequada 43% dos resÃduos.
"O estudo da poluição marinha reflete um problema que podemos ver de outra maneira. O Brasil gasta por ano cerca de R$ 5,5 bilhões para tratar a saúde das pessoas, tratar os cursos d'água e recuperar o ambiente em virtude da degradação dos resÃduos sólidos. Então resolver o problema é bom para a economia também", defende Silva. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Fonte: Estadão Conteúdo