13/01/2017 17h30
ONU Mulheres vê caso de machismo e misoginia em chacina de Campinas
Em uma nota pública divulgada nesta semana, a ONU Mulheres, entidade das Nações Unidas para igualdade de gênero e o empoderamento das mulheres, classificou como um caso de machismo a chacina que deixou 12 pessoas mortas em Campinas - 9 delas mulheres.
"Não é possÃvel considerar as violências de gênero, como a sofrida pelas mulheres em Campinas, como casos isolados ou frutos de uma vingança pessoal. Ao contrário, tratam-se de casos de machismo e misoginia, que expressam a cultura de violência a qual todas as mulheres estão submetidas diariamente no Brasil", diz o texto.
Na nota, a entidade manifesta repúdio aos assassinatos e diz que é "inadmissÃvel" que as mulheres continuem a ser assassinadas e que "os crimes de ódios à s mulheres sejam disseminados, vilipendiando a memória das vÃtimas com pretensos elementos de justificativa e de banalização dos assassinatos".
A ONU Mulheres apela ainda para que investigadores incorporem a perspectiva de gênero nos processos e apliquem a Lei do FeminicÃdio (Lei nº 13.104/2015). "Por fim, a ONU Mulheres conclama as autoridades públicas de todo o paÃs para investimentos concretos e transparentes em polÃticas públicas para as mulheres."
A chacina
O técnico de laboratório Sidnei Ramis de Araújo, de 46 anos, matou o filho, a ex- mulher e mais 10 pessoas que comemoravam o Revéillon na casa de uma das vÃtimas, em Campinas, no interior do Estado. Depois de atirar nos convidados, Araújo se matou. O crime, segundo a polÃcia, ocorreu porque ele não aceitou perder a guarda do filho.
Ramis deixou cartas e áudios gravados tentando justificar as mortes. No material, obtido com exclusividade pelo Estado, ele afirma que as acusações de que teria abusado do menino são mentira, diz que foi vÃtima de uma injustiça e de uma "sacanagem" e que não conseguia mais "suportar tudo isso".
Para se referir à ex-mulher, Isamara Filier, à mãe dela e a outras mulheres da famÃlia dela, ele só usa uma palavra, o tempo todo: "vadia". E revela os planos de matá-las. "Quanto mais ela distanciar ele de mim, mais ódio eu fico dela e menos peso na minha consciência eu vou ter", diz em um dos áudios, endereçado "aos policiais", modificado pela última vez no dia 30.
Fonte: Estadão Conteúdo