25/02/2018 20h10
Onze dias após título, diretor de carnaval Laíla deixa a Beija-Flor
Onze dias após a conquista do tÃtulo do desfile das escolas de samba do Rio de Janeiro, a Beija-Flor anunciou neste domingo, 25, a saÃda do diretor de carnaval Luiz Fernando do Carmo, o LaÃla, de 74 anos. Figura histórica da escola de Nilópolis, na Baixada Fluminense, LaÃla estava em sua terceira passagem pela escola, iniciada em 1995.
Ao longo dos 23 desfiles do perÃodo, conquistou nove tÃtulos - 1998, 2003, 2004, 2005, 2007, 2008, 2011, 2015 e 2018. A Beija-Flor divulgou comunicado sobre a saÃda do diretor pelas redes sociais, mas não informou nenhuma razão para o desligamento de LaÃla.
A decisão, no entanto, já se desenhava pelo menos desde a apuração do desfile carioca, quando LaÃla, mesmo tendo conquistado o tÃtulo, criticou a Beija-Flor e demonstrou estar disposto a se transferir para a Grande Rio, escola de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, cujo presidente de honra é Jayder Soares.
"Se eu não sirvo mais, vou ajudar o Jayder. O AnÃsio (presidente de honra da Beija-Flor) precisa rever alguns detalhes, mas, se não mudar, vou para o segundo grupo com a Grande Rio. Vou ter liberdade pra trabalhar", afirmou LaÃla na ocasião.
O diretor de carnaval já trabalhou na Grande Rio entre 1992 e 1994. Por enquanto, não há nenhuma confirmação sobre sua ida para a escola que foi rebaixada para a Série A, segunda divisão do carnaval do Rio.
Agradecimento
A nota divulgada pela Beija-Flor limita-se a agradecer a LaÃla pela parceria. "Gratidão: é a partir deste importante valor que a Beija-Flor de Nilópolis anuncia o desligamento de Luiz Fernando do Carmo, o LaÃla, do quadro de funcionários da escola. A saÃda do diretor de carnaval e membro da comissão de carnavalescos acontece amigavelmente em comum acordo entre ele e a diretoria da agremiação, que agradece pela essencial participação de LaÃla na formulação de seus últimos 23 desfiles", diz o texto.
A Beija-Flor "reconhece e enaltece a importância das ideias de LaÃla e de sua disposição para as tentativas de transformar não só a escola, mas também o maior espetáculo da Terra. A equipe de carnaval (...) deseja caminhos abertos e prósperos a quem tanto lutou para que os nossos estivessem sempre livres e vitoriosos. Obrigado, LaÃla! Um grande abraço da FamÃlia Beija-Flor!", concluiu a nota.
Carreira
LaÃla começou sua carreira na Salgueiro, onde foi diretor de carnaval, diretor de harmonia e chegou até a cantar - no primeiro disco de sambas-enredo, lançado antes do carnaval de 1968, era ele quem entoava "Dona Beja - A Feiticeira de Araxá".
Após o carnaval de 1975 foi contratado pela Beija-Flor, na equipe do carnavalesco Joãosinho Trinta (1933-2011), com quem manteve uma parceria vencedora até 1980 e depois entre 1989 e 1992. Em 1989, a escola de Nilópolis apresentou o enredo "Ratos e Urubus, Larguem Minha Fantasia" e levou à Sapucaà uma réplica do monumento do Cristo Redentor esfarrapado.
A peça foi proibida de ser exibida por decisão judicial, mas foi de LaÃla, segundo o próprio, a ideia de levá-la à Sapucaà coberta por plástico preto. Junto ao plástico, se lia a frase "mesmo proibido, olhai por nós".
Joãosinho Trinta nunca contestou a afirmação do então parceiro. LaÃla já trabalhou também na Unidos da Tijuca (de 1980 a 1983), Vila Isabel (1986), na paulistana Unidos do Peruche (1991) e na escola Arco-Ãris, de Belém (PA) (de 1985 a 1988).
Fonte: Estadão Conteúdo