01/09/2016 22h24
Ouvidoria da PM pede investigação de ação policial que cegou estudante
A ouvidoria da PolÃcia Militar encaminhou nesta quinta-feira, 1, ofÃcio ao Procurador-Geral de Justiça de São Paulo, Gianpaolo Paggio, em que sugere a abertura de procedimento investigatório para apurar a atuação da PolÃcia Militar na repressão à manifestação contra o impeachment no centro da cidade.
Na ação, a estudante Débora Fabri, de 19 anos, perdeu a visão do olho esquerdo após ser atingida por estilhaços de bombas lançadas pela PM e dois repórteres fotográficos foram presos, agredidos e tiveram seus equipamentos destruÃdos.
A jovem, aluna da Universidade do Grande ABC, é a terceira vÃtima em três anos a perder a visão de um dos olhos por causa de ferimentos causados pela ação policial de repressão a manifestações de rua na capital paulista.
Débora foi internada no inÃcio da madrugada desta quinta-feira no Hospital dos Olhos, onde passou por uma cirurgia de emergência que durou cerca de 1h30. Ela recebeu alta por volta do meio dia, quando publicou a seguinte mensagem em sua página pessoal no Facebook: "Oi pessoal estou saindo do hospital agora. Sofri uma lesão e perdi a visão do olho esquerdo mas estou bem. Obrigada pelas mensagens e apoio logo logo respondo todos!!!". Até as 18 horas ela permanecia sedada, em casa.
O oftalmologista William Fidelix, diretor operacional do Hospital dos Olhos, disse que Débora teve perfuração do olho esquerdo causado por um objeto metálico e não descartou que ela possa perder o olho. "O prognóstico nestes casos de tipo de lesão provocada no olho é bem elevado. É muito grave o estágio. Amanhã ela pode recuperar isso ou perder completamente a visão. É só com a evolução do caso que vamos ficar sabendo. É realmente difÃcil ter uma melhora na visão, realmente difÃcil, mas medicina é medicina".
O Estado solicitou nesta quinta-feira, 1, entrevista com o secretário de Segurança Pública do Estado de São Paulo, Mágino Ãlves Barbosa Filho, mas assessoria de imprensa da SSP afirmou que ele não iria falar sobre o assunto. Em nota, a SSP afirmou que está tentando contato com Débora para que ela registro o fato "que ela alega ter se envolvido" para dai inÃcio à s investigações, já que não foi registrado boletim de ocorrência. (Valmar Hupsel Filho e Felipe Resk)
Segue Ãntegra da nota da SSP:
A SSP entrou em contato com a Universidade do ABC, onde estuda Deborah Fabri, para que sejam oferecidos os meios necessários para a localização dela e para que a PolÃcia Civil possa registrar o fato em que ela alega ter se envolvido e dar inÃcio à s devidas investigações, uma vez que ela não registrou o boletim de ocorrência.
Fonte: Estadão Conteúdo