04/01/2016 21h21
Ouvidoria solicita participação do MP em investigação de chacina
A Ouvidoria da PolÃcia de São Paulo solicitou que o Ministério Público Estadual (MP-SP) acompanhe as investigações da PolÃcia Civil na primeira chacina de 2016. Quatro homens foram mortos a tiros e outro ficou ferido no último sábado, 2, na frente de um bar em Guarulhos, na Grande São Paulo. Há suspeita de que o ataque tenha sido cometido para vingar o assassinato de um cabo da PolÃcia Militar, morto em um assalto na região dois dias antes.
O ofÃcio foi enviado ao MP-SP, ao Departamento de PolÃcia Judiciária da Macro São Paulo (Demacro), ao qual são subordinadas as delegacias da Grande São Paulo, exceto capital, e à Corregedoria da PolÃcia Militar, que também apura o crime. "Pedimos para que o Ministério Público acompanhe de perto as investigações, não deixe só a polÃcia acompanhar", explica o ouvidor Júlio César Neves. Apesar de ter sido registrado no 2º Distrito Policial de Guarulhos, o caso será investigado pelo Departamento de HomicÃdios e de Proteção à Pessoa (DHPP).
Segundo Neves, há indÃcios de participação de policiais no crime. "Uma testemunha afirma ter visto uma viatura passar pelo local antes da chacina. Existe, realmente, a possibilidade de ser uma retaliação", afirma. Ainda de acordo com ele, o declarante não pediu para ser incluÃdo no programa proteção à testemunha, motivo pelo qual a solicitação não foi feita pela Ouvidoria.
Chacina
As vÃtimas estavam na frente do Bar do Bebeto, localizado na Rua Domingos de Abreu, periferia de Guarulhos. Por volta da meia-noite, criminosos encapuzados desembarcaram de um carro preto, de quatro portas, e atiraram nos rapazes. O bando escapou em seguida.
Adriano José Silva Araujo, de 28 anos, foi atingido por três tiros na cabeça e um no ombro. Leonardo José de Souza, de 23, também foi alvejado na cabeça. Segundo a PolÃcia Civil, os dois tinham passagem por furto e tráfico de drogas. Um homem de 29 anos, baleado na mão e no tórax, também tinha antecedente por tráfico. Ele foi submetido a cirurgia e permanece internado. O seu estado de saúde não foi divulgado pelo hospital.
Hermes Augusto Inácio Moreira, de 19, baleado nas costas e no abdome, e Francisco Fernando Pereira Caetano, de 23, atingido por um tiro na cabeça, não tinham antecedentes. Os dois foram socorridos por moradores locais, mas morreram antes de receber atendimento médico.
Aos policiais, uma testemunha relatou que "dois ou três homens" participaram do crime e que o veÃculo dos assassinos seria um Chevrolet Fox. Os investigadores buscam imagens de câmeras de segurança na região para confirmar. O bar não tem sistema de monitoramento.
Uma das suspeitas da PolÃcia Civil é de que a chacina tenha sido motivada por vingança. Em 30 de dezembro, o cabo Felipe Rebelato Nocelli Ramalho, de 30 anos, do 5.º Batalhão da PM, foi morto após intervir em um assalto a uma autopeça, a 1,5 quilômetro do bar onde aconteceu a chacina.
O PM estava de folga e havia ido na loja comprar um farol. Houve troca de tiros e Ramalho acabou baleado. Ferido, o assaltante foi socorrido por um comparsa. Depois, o suspeito foi encontrado em um hospital em Itaquaquecetuba, onde segue internado sob acompanhamento policial. Ele teve a prisão temporária decretada pela Justiça.
Fonte: Estadão Conteúdo