15/08/2020 07h30
Para especialistas, é precoce falar em saída do platô
A declaração de que a pandemia saiu do nÃvel de platô, ou seja, estabilização, e entrou em um ponto de inflexão é considerada precoce por especialistas ouvidos pelo Estadão. Para eles, uma avaliação mais precisa só seria possÃvel dentro de mais três semanas, pelo menos.
Para o médico infectologista Plinio Trabasso, professor associado do Departamento de ClÃnica Médica da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), a chegada a um ponto de inflexão é mais palpável para a cidade de São Paulo. "O MunicÃpio começou antes de qualquer outro lugar a ter aumento grande de casos, foi o primeiro lugar a atingir platô mesmo, e faz umas três semanas mais ou menos que está estabilizado", disse.
Ele cita como exemplo a desmobilização dos hospitais de campanha, que tiveram equipamentos e equipes transferidas para outros locais pela baixa ocupação. O especialista observa, porém, que é preocupante analisar a cidade isoladamente sem considerar os municÃpios do entorno, que ainda estão na fase laranja do Plano São Paulo, com alerta de controle, atenção e eventuais liberações.
"Para o resto do Estado, acho difÃcil fazer essa afirmação (de saÃda do platô). Precisamos observar se não teremos transmissão com as pessoas saindo à s ruas. Com relação ao municÃpio de São Paulo, ainda dá para ser otimista, os dados são bastante animadores, mas para o resto do Estado ainda é precoce", resume Trabasso.
O professor do Departamento de Epidemiologia da Faculdade de Saúde Pública da USP, Eliseu Waldman, concorda que a capital paulista tem dados sugestivos de declÃnio nos últimos dias, mas ele destaca a mudança para classificar mortes e casos do novo coronavÃrus. Agora, os registros poderão ser confirmados por critério clÃnico e com base em exames de imagem, sem necessariamente fazer o teste que identifica o vÃrus no organismo.
Essa mudança, segundo ele, vai gerar um atraso para que os sistemas sejam atualizados, apesar de, até então, a cidade apresentar queda de mortalidade e casos. Outro fator é que mortes que antes foram classificadas como por sÃndrome respiratória aguda grave agora podem ser transferidas para covid-19. "O MunicÃpio tem indicativos de declÃnio, mas é precoce dar afirmativas. Há regiões do Estado em situação complexa, como Rio Preto. O interior está complicado ainda."
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Fonte: Estadão Conteúdo