21/03/2018 20h50
Parentes de portadores de Síndrome de Down protestam contra desembargadora
Parentes e amigos de pessoas portadoras de SÃndrome de Down fizeram nesta quarta-feira, 21, no Rio de Janeiro um ato silencioso de repúdio à desembargadora MarÃlia Castro Neves, do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ). A magistrada postou na internet comentários em que ridicularizava uma professora que tem a sÃndrome, como se a docente fosse incapaz de ensinar.
A desembargadora também divulgou fake news (notÃcias falsas) sobre a vereadora Marielle Franco, assassinada na quarta-feira da semana passada, acusando-a, sem provas, de ter ligações com o crime organizado. Afirmou também que o deputado federal Jean Willys (PSOL-RJ) deveria ir para o "paredão de fuzilamento". O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) abriu inquérito para investigar o comportamento da magistrada.
O protesto desta quarta foi feito no Dia Internacional da SÃndrome de Down. Durante a sessão, os manifestantes ergueram cartazes onde se lia: "Quem julga com preconceito não sabe fazer direito".
O Tribunal de Justiça divulgou nota dizendo que "o grupo do movimento em favor das pessoas com SÃndrome de Down teve pleno acesso à sala de sessões da 20ª Câmara CÃvel". "Nossa assessoria entrou em contato com uma advogada e mãe de uma criança com Down, Sandra Kiefer, que disse ter saÃdo satisfeita com o ato realizado (...), classificando-o de protesto pacÃfico."
A assessoria informou também que não vai se pronunciar sobre a declaração pessoal da desembargadora. Procurada em seu gabinete, MarÃlia informou por meio de um assessor que tampouco vai se manifestar sobre o tema.
"Foi um ato pensado por lÃderes das organizações de parentes de pessoas com SÃndrome de Down para mostrar que nós não aceitamos o preconceito", afirmou Sandra Kiefer, advogada e mãe de uma criança com Down. "Não podemos deixar passar em branco. As minorias precisam ser respeitadas. E nós, do Direito, temos o dever de agir nesse sentido."
Polêmicas
Em uma postagem em uma rede social, a desembargadora conta que ouviu no rádio a notÃcia de que o Brasil é o primeiro paÃs a ter uma professora com SÃndrome de Down. E acrescenta: "O que será que essa professora ensina a quem? Esperem um momento que eu fui ali me matar e já volto, tá?".
A professora Débora Seabra, que tem SÃndrome de Down e trabalha há 13 anos em uma escola em Natal, publicou também nas redes uma resposta à postagem da desembargadora: "Quem discrimina é criminoso".
Nos dias que se seguiram ao assassinato de Marielle Franco, a desembargadora replicou notÃcias falsas segundo as quais a vereadora teria tido um filho com um traficante de drogas e teria tido sua eleição financiada por uma facção criminosa.
A Federação Brasileira das Associações de SÃndrome de Down e o PSOL entraram com representações contra a magistrada junto ao CNJ. Nesta terça-feira, 20, o corregedor João Otávio de Noronha determinou abertura de procedimentos de averiguação sobre os dois casos
Fonte: Estadão Conteúdo