17/01/2017 13h00
Parlamentares chamam prisão de Boulos de 'ato de repressão política'
Parlamentares de partidos de esquerda reagiram nesta terça-feira, 17, com indignação à detenção do lÃder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Guilherme Boulos, após reintegração de posse em um terreno particular em São Mateus, na zona leste da capital paulista. Em nota, os deputados chamaram a prisão de "arbitrária" e concluÃram que a medida configura "ato de repressão polÃtica" por parte da PolÃcia Militar de São Paulo.
"A PM-SP, comandada pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB), segue à risca a orientação de repressão total aos movimentos sociais imposta pelo Ministro de Justiça do governo golpista de Michel Temer, Alexandre de Moraes, que foi durante vários anos secretário de Segurança Pública dos governos tucanos em São Paulo e contra o qual pesam sérios questionamentos quanto à sua conduta à frente dos órgãos públicos pelos quais passou", disse o lÃder do PT, Carlos Zarattini (SP).
Na nota, o petista disse que causava "espanto e indignação" a detenção ter ocorrido enquanto Boulos dialogava com policiais e as famÃlias removidas. "Em vez de garantir o diálogo, a polÃcia optou pela repressão explÃcita, usando um dispositivo arcaico do Código Penal - a acusação de 'desobediência civil' - para justificar a prisão de um dirigente polÃtico, ação que é tÃpica de regimes totalitários", afirmou.
Zarattini destacou que o terreno onde estavam 700 famÃlias não cumpre sua função social de propriedade, como estabelece a Constituição. Ele afirmou que a bancada tomará as medidas para liberar Boulos e cobrará investigação sobre eventual abuso cometido pelos policiais.
Outro a se manifestar publicamente sobre o episódio foi o deputado Orlando Silva (PCdoB-SP), que classificou a prisão de "absurda". "Novamente vemos uma tentativa clara de criminalização de um movimento social e sua liderança, por parte do Estado", declarou.
O parlamentar também fez crÃticas à condução do governador Alckmin. "O governo Alckmin pratica cenas de violência lamentáveis contra uma população pobre e vulnerável e joga à s ruas 700 famÃlias em uma demonstração de total insensibilidade", completou.
Fonte: Estadão Conteúdo