18/10/2019 07h50
Perícia aponta fraude e Justiça revoga prisão domiciliar de Abdelmassih
A Justiça de São Paulo revogou nesta quinta-feira, 17, a prisão domiciliar do ex-médico Roger Abdelmassih, condenado a 173 anos de prisão, acusado de abusar sexualmente de pacientes. A decisão da juÃza Andréa Barreira Brandão, da 3.ª Vara de Execuções Criminais da Comarca de São Paulo, foi tomada após denúncias de fraude nos exames médicos do detento, de 76 anos.
A decisão foi tomada após perÃcia médica, cujo resultado concluiu que o réu tem condições de fazer seu tratamento de saúde dentro da prisão, o que possibilita o cumprimento da pena em regime fechado. Segundo a juÃza, houve indÃcios de que Abdelmassih consumiu remédios com o objetivo de aparentar estado de saúde pior do que o que realmente tinha para alterar o resultado da perÃcia e conseguir ser enviado para casa.
Abdelmassih havia sido beneficiado com a prisão domiciliar em 2017, por causa de problemas cardÃacos. O direito a cumprir a pena em casa se dava mediante certas condições, como ser submetido à perÃcia médica trimestral. Neste ano, porém, ele teve a prisão domiciliar suspensa, após denúncias de que teria fraudado laudos que embasaram a decisão que concedia o benefÃcio.
O ex-médico, então, foi levado pela PolÃcia Civil de sua casa, nos Jardins, zona sul paulistana, para o Hospital Penitenciário de São Paulo, até manifestação definitiva da Justiça.
Conforme a juÃza, houve indÃcios de que Abdelmassih usou "seus conhecimentos médicos para ingerir medicações que levaram a complicações e descompensações intencionais, a fim de alterar a conclusão da perÃcia judicial".
Ela ainda escreve que sua decisão foi balizada em laudo elaborado pelo especialista em PerÃcia Médica e Medicina Legal, Elcio Rodrigues da Silva. "O tratamento atual pode ser realizado na modalidade ambulatorial", escreveu o perito. Segundo o laudo, há risco de complicações em qualquer local em que esteja domiciliado.
Procurada pela reportagem, a defesa de Abdelmassih não se manifestou até as 21 horas. A Secretaria de Administração Penitenciária informou que ele deu entrada na Penitenciária II de Tremembé às 18 horas.
AlÃvio
VÃtimas do ex-médico disserem nesta quinta ter sentido alÃvio com a decisão. "Além da violência fÃsica, eu e outras mulheres estávamos sofrendo uma violência psicológica com ele fora da cadeia", disse Vanuzia Lopes à reportagem. "Temos uma ferida que nunca vai cicatrizar, mas notÃcias como essa ajudam a superar", disse Ena Castello, outra vÃtima. Segundo as denúncias, os abusos eram cometidos dentro da clÃnica do ex-médico. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Fonte: Estadão Conteúdo