15/02/2021 18h34
Pesquisadores detectam dois casos em São Paulo da nova variante do coronavírus
Pesquisadores do laboratório de diagnóstico Dasa confirmaram nesta quinta-feira, 31, a identificação de dois casos em São Paulo da nova variante do coronavÃrus. Trata-se da cepa B.1.1.7, a mesma detectada no Reino Unido e em diversos paÃses do mundo. A nova mutação foi detectada pela primeira vez no sudeste da Inglaterra em setembro e está rapidamente se tornando a cepa dominante em Londres e outras regiões do paÃs. Especialistas disseram, no entanto, que não parece mais mortal ou mais resistente à s vacinas. No entanto, ela é 56% mais contagiosa.
A confirmação da cepa em dois pacientes foi feita por meio de sequenciamento genético realizado em parceria com o Instituto de Medicina Tropical da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (IMT-FMUSP). "O sequenciamento confirmou que a nova cepa do vÃrus chegou ao Brasil, como estamos observando em outros paÃses. Dado seu alto poder de transmissão esse resultado reforça a importância da quarentena, e de manter o isolamento de 10 dias, especialmente para quem estiver vindo ou acabado de chegar da Europa", informou Ester Sabino, pesquisadora do IMT-FMUSP.
A mutação não é mais letal do que outras cepas dominantes, mas pode ser mais transmissÃvel. No Reino Unido, ela já representa mais de 50% dos novos casos diagnosticados, de acordo com a Organização Mundial da Saúde. "A prevenção ainda é o método mais eficaz para barrar a propagação do vÃrus: lavar as mãos, intensificar o distanciamento fÃsico, usar máscaras e deixar os ambientes sempre ventilados. Apesar das festas de fim de ano e das férias que se aproximam, é imperativo reforçar os cuidados", explica o diretor médico da Dasa, Gustavo Campana.
O laboratório informou por meio de nota que o estudo para descoberta desta cepa foi iniciado em meados de dezembro, quando o Reino Unido publicou as primeiras informações cientÃficas sobre a variante, que se caracteriza por apresentar grande número de mutações, oito delas ocorrendo na proteÃna da espÃcula viral (spike). Foram analisadas 400 amostras de RT-PCR de saliva e duas amostras apresentaram a linhagem B.1.1.7. "A spike é a proteÃna que o vÃrus usa para se ligar à célula humana e, portanto, alterações nela podem tornar o vÃrus mais infeccioso. Os cientistas ingleses acreditam que seja esta a base de sua maior transmissibilidade", explica o virologista da Dasa, José Eduardo Levi.
Números de São Paulo
O Estado de São Paulo contabilizou nesta quinta-feira 46.717 mortes e 1.462.297 casos confirmados de covid-19. Em 24 horas, foram registrados 240 óbitos e 10.219 casos.
A taxa de ocupação de leitos de UTI é de 61,3% no Estado e de 65% na Grande São Paulo. De acordo com o balanço da Secretaria Estadual da Saúde, 10.821 pacientes estão internados pelo coronavÃrus, sendo 4.790 em leitos de unidades de terapia intensiva. Ainda segundo os dados, 1.287.986 pessoas já se recuperaram da doença.
Fonte: Estadão Conteúdo